24 de setembro de 2009

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"amar tambem é bom:porque o amor é difícil.o amor de duas criaturas humanas talvez, seja a tarefa mais difícil que já nos foi imposta.a maior e a ultima grande prova.a obra para qual, todas as outras sejam apenas uma preparação.Por isso, pessoas jovens,que ainda são estreantes em tudo, não sabem amar:têm de aprendê-lo, com todo o seu ser.com todas as suas forças concentradas,em seu coração solitário, medroso e palpitante.devem aprender à amar...creio eu que aquele amor persiste ainda tão forte e poderoso em sua memória,justamente por ter sido a sua primeira solidão profunda.e o primeiro trabalho interior, com o qual,moldou sua vida..."

_Rainer Maria Rilke14 de maio de 1904


2 de setembro de 2009

Um Namorado para Fortuna...




- Miguel ? 

- Hã?

- Por quê você desvia tanto o olhar?

Um sorriso torto, mostrando seus aparelhos inferiores apareceu subtamente. 
Fortuna percebeu que ele não havia compreendido a grandiozidade que estava oculta naquela simples pergunta, principalmente, o enorme valor que uma mulher de imaginção extremamente ativa e fértil como ela, daria a resposta dele. Pelas palavras que sairiam a seguir da boca dele, ela poderia desvelar que tipo de homem ele era, e principalmente, que tipo de homem ele seria com ela.

- E você hein? Por quê desvia o olhar?

Isso.
Foi apenas isso que ele respondeu, nada mais.
Ele estava sorrindo ainda, como se ela apenas o tivesse questionado sobre esta ou aquela marca de cerveja. Idiota, retardado, pensava. Mas na realidade, Fortuna não sabia o que responder, nunca tinha lhe passado pela cabeça até então, a hipótese de que ela também, as vezes, desviava o olhar.
E porque diabos ela estava fazendo isso? Pelo visto estava desviando o olhar fazia tempo, e com muita frequencia, para que um homem desligado como Miguel, percebesse. Ou talvez ele apenas estivesse brincando, chumbo trocado não dói, mas parando um momento para pensar, se ela realmente estivesse desviando seu olhar do dele, era apenas porque tinha medo de altura.
Tinha medo de cair de uma só vez para dentro dele como já havia feito tantas vezes antes, com outros. Ela percebeu que o fato de Miguel ser professor de cartografia, fazia com que ela encontrasse em seus olhos castanhos, certos dezenhos que lembravam a ela montanhas, cordilheiras vistas do alto, talvez ela estivesse desviando seu olhar para amarrá-lo em alguma pedra sólida no chão, e então assim talvez, escapar de um possível amor, se salvar. 
Mas agora, nesse momento, deitada no capô do carro antigo dele, sentindo o perfume masculino, e um leve cheiro de loção pós barba no ar, ela contemplou toda a simplicidade e força de um momento mágico como aquele, pela primeira vez, ela estava tranquila, calma, não estava esperando nada, apenas o estava aceitando, aos poucos, aceitando o homem que ele era, com um senso de humor tranquilo e até doce algumas vezes, e todo o corpo dele era de certa forma doce, e gostoso de ser acariciado, tocado, sentido e até degustado. 
principalmente seu olhar, não poderia ser mais enigmatico e sincero. um olhar cru, em carne viva.


Ela havia deixado de ser a menina branquela de nome incomum, para se tornar uma mulher, madura, centrada, e principalmente: Incerta.
Havia recebido um homem. Não um garoto, mas um homem, inseguro, inexperiente em alguns pontos, porem ele era a mistura de tudo aquilo que ela havia visto em propagandas da televisão,
ele bebia cerveja, jogava futebol com os amigos aos finais de semana, tinha um emprego de segunda a sexta, fazia faculdade, tinha carro, usava bermuda e havaianas, ou calças jeans e tenis, a barba as vezes por fazer, e as vezes bem feita como naquela noite, o chiclete de menta, os pelos no antebraço, nas cochas, e alguns no peito, ele era um homem. Adulto.
Então naquele momento, lhe faltaram pedras para se segurar. 
Olhou atentamente ao seu redor, e viu uma simples e alaranjada margarida, ele havia arrancado a florsinha do canteiro da mãe dela, quando parou o carro em frente a sua casa e disse, com um sutaque caipira que ele desarticuladamente desfarçava"Tó aqui prô Cê!"
Ela escutava sua voz, e sentia como era grossa, rouca e masculina, sem dúvida ele recebeu uma alta dose de testosterona na puberdade, o que contrastava com seus traços de menino, seu jeito de vestir, e de se portar à mesa.
Tentou parar de devaniar, como sempre fazia, se pegando aos detalhes.
Precisava se focar no que de fato estava acontecendo naquele momento, sobre o capô daquele carro.
se agarrou à margarida, e tentou não pensar nas paisagens que estavam dentro daqueles olhos castanhos curiosos, que não paravam por um minuto sequer de fitá-la:

- Ah, bem, porque sou meio tímida.

Ele riu alto, afinal Fortuna era a rainha das respostas feitas e complicadas. 
Pela primeira vez, uma frase curta, simples e direta havia saído de sua boca, 
e isso deixou até mesmo ela preplexa, mesmo que esta frase seja apenas um disfarce para toda a confusão que acontecia dentro dela.

- Meu bebê! disse ele, colocando seu braço por debaixo da cabeça dela, e trazendo ela para mais perto.

Ela pousou a cabeça em seu peito.
Tarde demais. Estava Apaixonada.













p.s. Este é apenas um trecho de um romance que estou 
escrevendo de uma forma bem lenta e amadora.
p.p.s. inspirado em lições de vida e em todas as Fortunas que conheço por aí.
p.p.p.s. se um dia ele passar pela minha crítica pessoal, tentarei publicá-lo.

beijos sinceros.







24 de agosto de 2009

Café, Paixão ou Amor? Humm Café!!!



É engraçado essa coisa de diferenciarmos muito o amor e a paixão.

Colocamos ambos em pedestais distintos, como se nós, reles e xinfrins mortais que somos soubessemos o que diferencia uma coisa da outra. Nós temos dificuldade em misturar paixão e amor dentro de nossa cabeça, ou mesmo amor e sexo.
Então o amor que é um sentimento tão primitivo e natural quanto a fome e a sede, acaba sendo tratado como algo quase que sobrenatural, distante da nossa realidade, impossível de se obter nos dias atuais.
Nesse ponto penso diferente, acho que o amor é uma coisa que nos une, nos torna iguais, como o projeto Genoma. Acho que todos os seres vivos, sejam pedras, plantas, animais, (bem Pocahontas esse trecho!) precisam de uma quantia minima, nano que seja, de amor. Precisam ser amados. E na maior parte das vezes, pouco importa quem nos ama, des de que nos faça companhia.
Alguns (muitos!) acham que a diferença mais básica e gritante entre amor e paixão é a intensidade do que se sente, ou insanidade do quanto se sente, leia-se como quiser.
A escritora espanhola Rosa Montero diz o seguinte: "O amor tem a característica de sempre ser tranquilo, calmo, nos faz bem, já a paixão tende a nos deixar sempre um pouco doentes."
Entendo bem o que ela quer dizer com "doentes". Uma coisa que eu aprendi a duras penas nesses 22 anos é que Amar machuca quando nos tornamos tão dependentes, tão, à ponto de não querer e não enxergar mais a vida sem ela ou ele. Isso é obsessão e doença. Aprenda a viver por você mesmo, por mais insuportável que você seja, não viva pelos outros, porque os outros viverão por eles mesmos. Fato!
A doença a qual Rosa Montero se refere é a extrema obsessão (opa, filme de supercine!), a possessão, a supervalorização, colocar um simples e errado ser humano, no centro de todo o sistema solar, e dar à ele a mesma importância do Sol, e esperar que o pobre diabo, tenha luz, calor e gravidades suficientes para manter tudo girando em seu lugar, para manter você sempre girando atraído incrivelmente por ele. E foda-se se o coitado estava muito mais feliz quando era apenas uma Lua prateada e tímida, aparecendo e desaparecendo, agora ele é o Sol e tem que fazer tudo funcionar.
É extremamente injusto se apaixonar sozinho, pois quando nos apaixonamos sozinhos, nós nos apaixonamos exatamente por aquilo que queremos, não há amor nisso. É apenas um egoísmo disfarçado. É quase matemático, está sozinho demais, triste demais, romantico demais, e tá passando "Meu cachorro Bingo" de novo na sessão da tarde, então vam'bora se apaixonar.
Você se apaixona por quem quer, quando quer e a hora que quer, á Luz do século XXI, não dá mais pra colocarmos a culpa no cupido, nos deuses, no coração cego, ou num trabalho arriado na encruzilhada pela Mãe Tatatutudinanaditu.
Basta um ingrediente: Um pateta qualquer, que nem precisa ter qualidade, você com certeza as inventará, e nem é preciso dizer que ele vem recheado de defeitos, pois você os esconderá de qualquer forma, você QUER se apaixonar, então você simplesmente se apaixona, e por qualquer merda que aparecer, qualquer *fôrma de moldar capeta* vira um principe encantado nessa hora, é fatal. Basta ter um trouxa que tope fazer o papel de palhaço que você escreveu para ele.
Os sensíveis devem estar se remoendo: que horror, paixão não é isso, o amor é cego.
Galera. Realidade por favor, obridado!
Não vamos mais nos enganar, paixão avassaladora é apenas uma questão de timing*, você se apaixona por qualquer anta nordestina que apareça no momento certo, ou errado como é mais comum.
Paixão é um mecanismo do nosso coração pra adicionar um sabor diferente a nossa vida urbana e preto e branco, é quase uma equação:


Pessoa Carente (PC)
Sonhos romanticos (SR)
Vontade de viver feliz para sempre (VVFS)
Pobre infeliz que apareceu nessa hora (PIANH)
Sexo básico ou Orgasmo (SB/O)
Paixão arrebatadora que irá terminar em divórcio, decepção e morte (PATDDM)
Sanidade (S)


então:

PC¹ + SR¹ + VVFS + PIANH - S = SB/O + PATDDM²




Basicamente, pela minha experiência, toda paixão precisa de 20% de paixão como matéria prima, 15% de demonstração de afeto e 65% de reflexão. Bom senso, ética, maturidade, independência emocional e sinceridade. São elementos que quando adicionados à equação acima, fazem o resultado ser positivo, que tudo de certo, e dure infinitamente.
E os românticos devem estar se perguntando: Mas e o amor? meu deus como esse menino é mal comido, mau amado. credo.

Explico:

O amor é como uma tartaruguinha (tu), ele demora muito² tempo para crescer, e é muito raro você não perdê-lo, ou pisar nele, antes que ele cresca o suficiente para você notar que ele existe e não chutar o coitadinho sem querer.

Mas sinceramente, sem exageros ou pretenções da minha parte, acho que o amor não deve, e jamais deveria ter sido desmembrado da paixão. jamais esse sentimento intenso deveria ter sido amputado, e dividido em duas palavras, afinal na opinião deste escritor modesto que vos escreve, paixão e amor é a mesmissima coisa.
É como aquele vinho Polonês de cereja morango e amora, você nunca vai saber o gosto de que fruta você está sentindo na sua boca, mas sabe que é um gosto exótico e maravilhoso.
O amor é uma coisa só, e que isso fique bem claro, não me diga que aquilo é paixão ou isso é amor, porque não há meios, é impossivel diferenciar uma coisa da outra. E vou além:

O amor é muito mais um trabalho psicológico, do que qualquer outra coisa etérea a ele atribuida.

Amar quer dizer simplesmente amar, amar mesmo, na real, amar sem personagens ou projessões, amar sem vitimas e vilões, sem princesas, sem bruxas, amar SEMPRE na mesma intensidade, na mesma SINTONIA, e sempre CORRESPONDENDO e RESPEITANDO o outro. Amar olhando sempre na mesma direção.
Amar alguém simplesmente pelo que ele é, e não apesar do que ele é.
Um casal viajando de primeira classe para Paris, ou um casal comendo um dogão na tia Edna sentem exatamente a mesmissima coisa, Esse dom é universal, os deuses deram para todo mundo.
Pena eles não terem dado a viajem para Paris também como item adicional. hohoho






Sem mais meus queridos,
vou deixá-los com seus próprios pensamentos agora.
e pra finalizar um versinho sobre o amor:

"Eu ja sou bem grandinho,
brincar de médico, é melhor que carrinho!"
;D

Beijos sinceros.



















p.s. como café é gostoso!
p.p.s. agora oficialmente com 22 e amando muito tudo isso.
p.p.p.s. agora muitooo¹²³ mais tatuado, aguardem fotos.