Mostrando postagens com marcador café. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador café. Mostrar todas as postagens

20 de novembro de 2011

Ambrosia.

"Zona Abissal", foto de Ligia Goi.

Escrevo para ser lido
muito além do contexto
dizer aquilo que não digo
usando a pena como pretexto

Te mostrar o que não vejo
em mim mesmo, na realidade
esconder o verdadeiro desejo
de queimar a insanidade.

Destruindo as quimeras
tomando a ambrosia
perdurando por eras
agonizante letargia.

Pelo tempo somos lidos
quando deixamos o útero materno, 
escrevemos para não sermos esquecidos, 
eu escrevo para ser eterno.




8 de abril de 2011

O Diário de Roberto Rodríguez


Bridget Jones's Diary


"E foi assim, bem alí, aquele foi o momento. 
De repente,  percebi que se nada acontecesse logo 
eu viveria uma vida onde meu principal relacionamento 
seria com uma garrafa de bebida. 
E por fim, eu morreria gorda e sozinha, 
e seria encontrada três semanas depois parcialmente devorada por cães, 
ou me transformaria na Glenn Close do filme Atração Fatal."
O Diário de Bridget Jones





Roberto Rodríguez  8/4/11 
Estado civil: há espera de um milagre
Peso 95kg
cigarros 22
unidades alcóolicas 0 (m.b.)
kcal 2.432 (m.b.)
pensamentos de que serei um escritor rico e famoso, casado e feliz 0
pensamentos de que serei um frustrado, desempregado e gordo 1.345




Bem, faz muito tempo que não escrevo um post de maneira mais coloquial e pessoal, sem fru-frus ou linguagem poética, por isso peço agora aos meus caros leitores que me dêem uma colher de chá. 
Decidi escrever este post para contar a vocês (e principalmente a mim mesmo) toda a verdade sobre Roberto Rodríguez
Primeiro vou contar a vocês uma das maiores verdades que descobri nos últimos tempos, beber não engorda, ou pelos menos "não beber" também não emagrece, porque tenho estado limpo há quase duas semanas e não emagreci nadinha de nada, mas voltando ao assunto Roberto Rodríguez, inspirado pela musa de todos os solteiros/gordinhos/esquisitos/fora dos padrões/atrapalhados, a nossa querida, idolatrada, salve salve Bridget Jones, decidi tentar transcrever a minha atual realidade com o intuito de analisá-la e mudá-la. Primeiramente tenho 23 anos, e me sinto como a cigarra que cantou o verão inteiro, e agora que chegou no inverno de sua vida não tem porra nenhuma pra comer, e depende humilhantemente das migalhas das formigas. Não, eu não tenho vida amorosa, acadêmica, profissional, nada, N-A-D-A. Desde os meus 17 anos, quando me atirei ao mundo, tenho cometido uma série de pequenos erros, que me fazem pagar até hoje por suas consequências, nada assim de muito grave, mas é complicado. Sou um homem complicado por natureza, gay, gordinho, tatuado, etc e etc. Sou preguiçoso por natureza e extremamente acomodado, poderia hoje estar gozando de uma vida maravilhosa, mas infelizmente cometi o grave e imperdoável erro de colocar a minha vida nas mãos de outras pessoas, sempre. Sinto como se a minha felicidade nunca de fato, tivesse dependido de mim, e sim de outrem. Tipo, o que fulano vai pensar? Será que siclano vai me ajudar? E se beltrano disser não? E se fulano não gostar? E por aí vai. Mas e o que EU penso? Poxa, eu cobro tanto que o mundo me enxergue de uma vez, ou pelo menos que alguém me enxergue nesse emaranhado de pessoas, mas eu me olho todos os dias no espelho e ainda não tenho certeza do que vejo lá dentro. Não me refiro a termos meramente físicos, reclamo que na minha vida profissional ninguém nunca explorou meus inúmeros talentos, mas eu mesmo nunca me explorei nesse sentido, comecei a tentar coisas novas faz apenas um mês, e fazem exatos oitenta e quatro meses que estou no mercado de trabalho. Reclamo que os caras com quem saí nunca perceberam a pessoa original que eu era e nunca me trataram como eu achava que merecia, mas como tenho me tratado nesses anos todos? Me recriminando, me censurando, me punindo, me privando, me julgando sempre insuficiente? Fazem exatos 84 meses também, desde que dei meu primeiro beijo, e nunca tomei nenhuma atitude a respeito. Preocupante. Quanto a minha família e as minhas amizades também, perdi inúmeros amigos por ser cabeça dura demais, por levar a risca a regra do oito ou oitenta de uma maneira imatura, por descontar neles a insatisfação que tenho com a pessoa que eu sou, por não me sentir especial quando estou sozinho, e querer que eles estejam lá pra levantar minha moral, o que eu quero deles, um troféu de melhor-amigo do ano? Não Sr.Rodríguez, as coisas não são por aí, não acredito nessa psicologia de fundo de quintal dos livros de auto-ajuda, e nem acredito na auto-estima. Não que eu não me ame as vezes, mas a auto-estima se tornou uma espécie de Santo Graal do século vinte e um. Todos dizem "você precisa de mais auto-estima, se valorizar mais!" mas porra, a auto-estima não é um estado de elevação espiritual ou mental que você atinge como o Nirvana, é o resultado de uma equação momentânea, por exemplo: você acorda numa sexta-feira, descobre que milagrosamente a fada-do-abdomen levou sua barriga embora da noite pro dia, sua calça que não servia a dois anos volta a servir, seu rosto amanhece sem espinhas, você faz a barba e sua pele não fica irritada, seu café sai milagrosamente maravilhoso, você vai pra rua e pega seu ônibus na hora, seu trabalho é tranquilo, você volta pra casa toma um banho delicioso, sai pra noite se sentindo um Deus transbordando auto-estima, claro que não é todos os dias que isso acontece, portanto, menos papinho de auto-estima pro meu lado. Além do que, a auto-estima só ajudou até hoje quem não presta, o que vejo de gente por aí que não é porra nenhuma se sentindo um presente de Deus para o mundo só porque tem a auto-estima elevada, e o que vejo também de pessoas maravilhosas, incríveis, sofrendo sozinhas porque querem atingir um grau de perfeição máximo e então encontrar a tão sonhada auto-estima, por favor né? Não aceito mais isso de problemas com a auto-imagem, auto-estima, auto-ajuda etc, a única palavra com "auto" que define meu humor é automóvel, que por acaso eu não tenho, então já viu.
Não quero mais esperar coisas da vida, coisas que não vão aparecer do nada, nem esperar que um dia eu encontre embaixo da cama a minha auto-estima quando estiver procurando a bolinha do meu piercing, nada disso. Prometo sim, não depositar mais minhas frustrações sobre ombros que não sejam os meus, a não ser quando estiver extremamente ébrio, prometo não cobrar dos outros uma atitude que eu mesmo não tomo, prometo também perder meu medo de começar coisas novas, de me livrar de coisas antigas, prometo não achar que qualquer um que aparecer na minha frente vai ser o homem da minha vida, e prometo dar a qualquer um a chance de provar que não é um qualquer também, e prometo me dar a mesma chance.
Tenho a partir de hoje (se o mundo não acabar em 2012) 84 meses para reescrever toda essa história. E quem sabe até, um final feliz, ou um começo... Talvez, seja hora de um novo começo.




Sem mais meus queridos, 
foi só um desabafo de uma sexta-feira.
Beijos sinceros.



24 de agosto de 2009

Café, Paixão ou Amor? Humm Café!!!



É engraçado essa coisa de diferenciarmos muito o amor e a paixão.

Colocamos ambos em pedestais distintos, como se nós, reles e xinfrins mortais que somos soubessemos o que diferencia uma coisa da outra. Nós temos dificuldade em misturar paixão e amor dentro de nossa cabeça, ou mesmo amor e sexo.
Então o amor que é um sentimento tão primitivo e natural quanto a fome e a sede, acaba sendo tratado como algo quase que sobrenatural, distante da nossa realidade, impossível de se obter nos dias atuais.
Nesse ponto penso diferente, acho que o amor é uma coisa que nos une, nos torna iguais, como o projeto Genoma. Acho que todos os seres vivos, sejam pedras, plantas, animais, (bem Pocahontas esse trecho!) precisam de uma quantia minima, nano que seja, de amor. Precisam ser amados. E na maior parte das vezes, pouco importa quem nos ama, des de que nos faça companhia.
Alguns (muitos!) acham que a diferença mais básica e gritante entre amor e paixão é a intensidade do que se sente, ou insanidade do quanto se sente, leia-se como quiser.
A escritora espanhola Rosa Montero diz o seguinte: "O amor tem a característica de sempre ser tranquilo, calmo, nos faz bem, já a paixão tende a nos deixar sempre um pouco doentes."
Entendo bem o que ela quer dizer com "doentes". Uma coisa que eu aprendi a duras penas nesses 22 anos é que Amar machuca quando nos tornamos tão dependentes, tão, à ponto de não querer e não enxergar mais a vida sem ela ou ele. Isso é obsessão e doença. Aprenda a viver por você mesmo, por mais insuportável que você seja, não viva pelos outros, porque os outros viverão por eles mesmos. Fato!
A doença a qual Rosa Montero se refere é a extrema obsessão (opa, filme de supercine!), a possessão, a supervalorização, colocar um simples e errado ser humano, no centro de todo o sistema solar, e dar à ele a mesma importância do Sol, e esperar que o pobre diabo, tenha luz, calor e gravidades suficientes para manter tudo girando em seu lugar, para manter você sempre girando atraído incrivelmente por ele. E foda-se se o coitado estava muito mais feliz quando era apenas uma Lua prateada e tímida, aparecendo e desaparecendo, agora ele é o Sol e tem que fazer tudo funcionar.
É extremamente injusto se apaixonar sozinho, pois quando nos apaixonamos sozinhos, nós nos apaixonamos exatamente por aquilo que queremos, não há amor nisso. É apenas um egoísmo disfarçado. É quase matemático, está sozinho demais, triste demais, romantico demais, e tá passando "Meu cachorro Bingo" de novo na sessão da tarde, então vam'bora se apaixonar.
Você se apaixona por quem quer, quando quer e a hora que quer, á Luz do século XXI, não dá mais pra colocarmos a culpa no cupido, nos deuses, no coração cego, ou num trabalho arriado na encruzilhada pela Mãe Tatatutudinanaditu.
Basta um ingrediente: Um pateta qualquer, que nem precisa ter qualidade, você com certeza as inventará, e nem é preciso dizer que ele vem recheado de defeitos, pois você os esconderá de qualquer forma, você QUER se apaixonar, então você simplesmente se apaixona, e por qualquer merda que aparecer, qualquer *fôrma de moldar capeta* vira um principe encantado nessa hora, é fatal. Basta ter um trouxa que tope fazer o papel de palhaço que você escreveu para ele.
Os sensíveis devem estar se remoendo: que horror, paixão não é isso, o amor é cego.
Galera. Realidade por favor, obridado!
Não vamos mais nos enganar, paixão avassaladora é apenas uma questão de timing*, você se apaixona por qualquer anta nordestina que apareça no momento certo, ou errado como é mais comum.
Paixão é um mecanismo do nosso coração pra adicionar um sabor diferente a nossa vida urbana e preto e branco, é quase uma equação:


Pessoa Carente (PC)
Sonhos romanticos (SR)
Vontade de viver feliz para sempre (VVFS)
Pobre infeliz que apareceu nessa hora (PIANH)
Sexo básico ou Orgasmo (SB/O)
Paixão arrebatadora que irá terminar em divórcio, decepção e morte (PATDDM)
Sanidade (S)


então:

PC¹ + SR¹ + VVFS + PIANH - S = SB/O + PATDDM²




Basicamente, pela minha experiência, toda paixão precisa de 20% de paixão como matéria prima, 15% de demonstração de afeto e 65% de reflexão. Bom senso, ética, maturidade, independência emocional e sinceridade. São elementos que quando adicionados à equação acima, fazem o resultado ser positivo, que tudo de certo, e dure infinitamente.
E os românticos devem estar se perguntando: Mas e o amor? meu deus como esse menino é mal comido, mau amado. credo.

Explico:

O amor é como uma tartaruguinha (tu), ele demora muito² tempo para crescer, e é muito raro você não perdê-lo, ou pisar nele, antes que ele cresca o suficiente para você notar que ele existe e não chutar o coitadinho sem querer.

Mas sinceramente, sem exageros ou pretenções da minha parte, acho que o amor não deve, e jamais deveria ter sido desmembrado da paixão. jamais esse sentimento intenso deveria ter sido amputado, e dividido em duas palavras, afinal na opinião deste escritor modesto que vos escreve, paixão e amor é a mesmissima coisa.
É como aquele vinho Polonês de cereja morango e amora, você nunca vai saber o gosto de que fruta você está sentindo na sua boca, mas sabe que é um gosto exótico e maravilhoso.
O amor é uma coisa só, e que isso fique bem claro, não me diga que aquilo é paixão ou isso é amor, porque não há meios, é impossivel diferenciar uma coisa da outra. E vou além:

O amor é muito mais um trabalho psicológico, do que qualquer outra coisa etérea a ele atribuida.

Amar quer dizer simplesmente amar, amar mesmo, na real, amar sem personagens ou projessões, amar sem vitimas e vilões, sem princesas, sem bruxas, amar SEMPRE na mesma intensidade, na mesma SINTONIA, e sempre CORRESPONDENDO e RESPEITANDO o outro. Amar olhando sempre na mesma direção.
Amar alguém simplesmente pelo que ele é, e não apesar do que ele é.
Um casal viajando de primeira classe para Paris, ou um casal comendo um dogão na tia Edna sentem exatamente a mesmissima coisa, Esse dom é universal, os deuses deram para todo mundo.
Pena eles não terem dado a viajem para Paris também como item adicional. hohoho






Sem mais meus queridos,
vou deixá-los com seus próprios pensamentos agora.
e pra finalizar um versinho sobre o amor:

"Eu ja sou bem grandinho,
brincar de médico, é melhor que carrinho!"
;D

Beijos sinceros.



















p.s. como café é gostoso!
p.p.s. agora oficialmente com 22 e amando muito tudo isso.
p.p.p.s. agora muitooo¹²³ mais tatuado, aguardem fotos.