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14 de dezembro de 2012

Tous les garçons.




E senti na garganta o nó górdio de todos os amores 
que puderam ter sido e que não foram.

Gabriel García Marquez


O que existe de tão fascinante no amor representado pelo simulacro? Sim, porque o amor, amor mesmo, dos amados, nos é ainda muito estranho. Não chegamos a arranhar sua etérea superfície com o ensaiar de um toque. O amor nos é cantado mas não esta la também, pois nas musicas existem sempre dois personagens pré definidos, o que ama e o que não, a vítima e o carrasco, o que fica e o que vai.
Compramos tal ideia sem correlacioná-la com a realidade que nos é apresentada todo dia.
O que ama apenas ama o amor e não o outro, o que fica o faz por falta de opção e não por escolha, até o inferno chega a ser convidativo para aquele que nada tem.
Já o que não ama nunca amou, o que se foi nunca esteve, portanto na realidade não existe um desamor, não existe partida, ele próprio jamais existirá, até que ame, até que fique e um outro se parta.
Não se pode explicar e também não se pode não entender. Eis o que nos resta.
Não somos o que somos, somos apenas o que nos restou.
O que decidiu não nos “não amar”, o que não partiu. 







22 de setembro de 2012

Venti Cordia ou “Post It” do coração.




"Há cordas no coração que melhor seria não fazê-las vibrar."
Charles Dickens


Minha função mais intrínseca, primordial, quiçá fisiológica é fazê-lo viver, a ti e ao teu corpo, por isso venho pronunciar-me quanto a tua vida. O meu apelo é o mais despretensioso possível, não tenho tempo de discursar sobre minhas idéias e opiniões a respeito da vida que conheço e da que desconheço, dentro e fora de sua caixa torácica o mundo segue um grande mistério para mim, mas mesmo em minha cega e desconhecida ignorância gostaria de dizer uma ou duas palavras sobre os últimos acontecimentos.
Percebi-me acelerando naquela noite, não enxergo mas soube quase que instantaneamente que seus olhos percorriam as palavras dele novamente. As mesmas palavras de novo, ainda não faziam sentido em seu córtex central, mas assustavam ao serem vistas como um todo, um tipo de gestalt que ainda não conheço, acelerei, descompassei, me preocupei com você, com o que lia, com o término anunciado de algo que ainda não tinha certeza se de fato começara, ao menos havia começado para você aqui dentro e todos nós (eu e alguns poucos órgãos) estávamos cientes disso.
O que gerou o meu descompasso não foi de fato o que você sentiu ou pensou sentir naquela noite, foi a repetição, ninguém entende melhor de repetição do que eu, que desde antes de fazê-lo ser, sou.
A repetição me assustou, visto a importância que dava para isso há um ano e a que voltou a dar algumas noites atrás, a repetição da infinita equação amar e não amar, ter e não ter, estar e não estar mais. Essa corda bamba, essa prancha de navio pirata que sempre lhe atira ao vazio e que você chamava de pseudo-namorado, antes e agora. Não era e nem nunca foi, não possuo faculdades desconhecidas como o cérebro, não prevejo o futuro mas sei que nunca viria a ser.
E então veio a anunciada e inevitável separação, não apenas física, mas emocional, separar os seus sentimentos dos dele, os seus erros e precipitações dos dele, somar, subtrair e então dividir.
E lá estávamos nós dois, você dividido, eu quase enfartando, o cérebro sobrecarregado, o corpo sem ar, os pulmões sorvendo nicotina descontroladamente, tornando ainda mais difícil meu trabalho que já não é nem um pouco fácil.
Então, devido a gravidade exacerbada da situação, fizemos um motim, sua consciência talvez esteja estranhando algumas atitudes recentes suas, mas tudo foi meticulosamente planejado por nós, seus vitais. Tudo entrou no automático, no natural, pra facilitar sua vida (e a nossa), para abrandar a sua dor.
Os hormônios mais violentos, alguns deles até grandes culpados desta sua (des) ilusão, foram silenciados, quase todos por mim mesmo. O cérebro parece que já entrou em acordo com todos os nervos que a incompetência vem da parte dele, digo, do cérebro do outro e não do seu, e uma vez tendo encarado esta realidade já desconectou ou ao menos começou a desconectar pelo que soube, qualquer lembrança dele de você, em breve você não o chamara de mais nada, não teremos mais nomes para ele. Nem um unico sentimento que se encaixe nele. Seus músculos faciais concordam que a partir de agora não haverá mais sorrisos para ele. As lágrimas serão contidas antes do orbe ocular, não se incomodarão em subir até os canais, muito menos em descer por eles, o choro será reprimido pela garganta, e as cordas vocais decidiram entrar em greve em tudo que se relacionar a ele, a única coisa que ele ouvirá de você será o som do seu abismo, o som da sua imcapacidade de continuar.
Enfim, acredito realmente que tudo isso dará certo de alguma forma no final, o meu passo não marca o tempo, não o transmuta ou controla, mas podemos mudar (e mudaremos a partir de agora) a forma como você passa por ele, e o tempo que se vire, como nós aqui dentro estamos nos virando também.
Escolhi este momento de repouso em que sua consciência esta silenciada pelo sono, pela brisa noturna, para expor a você o que estamos fazendo e o por que de estarmos fazendo, precisamos de você bem vivo, lúcido, existem células nascendo aqui que querem sua chance de ver o mundo, mesmo que seja apenas esse seu mundo (tao vasto e pleno para nós)  interno.
Quanto a ele, não o conheço, sei que não deve ser de todo mal, sei que você sabe disso também, não o estamos tratando como uma chaga ou uma enfermidade que precisa ser curada, seu sistema imunológico nem entrou nessa jogada, mas acredito que dentro dele tudo tenha sido alinhado premeditadamente para o "até nunca mais", e como nós, desligados que somos, esquecemos de fazer isso por você antes o fazemos agora.
Em breve seu sono acabará e eu preciso voltar ao meu trabalho antes que você enfarte, mas não tenha medo de sonhar de novo, é bom para você e para todos nós quando o faz, apenas lembre-se, ja diria o poeta que você sonha quando olha para fora, mas só acorda quando olha para dentro, ou no meu (e no seu) caso, quando o lado de dentro acorda para o de fora.


Atenciosamente.

Seu coração (lat. cor, grc. Καρδία)





17 de setembro de 2012

Alucin(ações)





Antes deviam ter te dito que era um labirinto
e eu um minotauro louco e faminto.
Antes.

...

Talvez se eu fosse um pouco menos isso ou aquilo.
Talvez um pouco menos "bom partido", menos experiente.
Talvez.

...






26 de junho de 2012

To bear or not to bear?



“Normalmente, são tão poucas as diferenças de homem para homem 
que não há motivo nenhum para sermos vaidosos quanto a elas.”

Barão de Montesquieu.




A relação entre seres do mesmo sexo genético sempre existiu, eis um fato, esta relação esta evidente desde os primórdios da humanidade, no reino animal, e recentemente até mesmo no vegetal. 
Eu, particularmente, discordo que a minha homossexualidade possa ser explicada de uma forma biológica, física e/ou psicológica, todos nós os chamados “desviantes patológicos”, somos doentes mentais. 
No final do século XIX a medicina, a biologia e a então recente psicologia resolveram categorizar todas as doenças humanas, foi então em 1869 que foi criado o termo patológico homossexual. 
Antes dele, a sociedade ocidental dominada moralmente pelo cristianismo, utilizava o termo “sodomita” (“aquele que veio de Sodoma”, cidade da mitologia bíblica em que toda forma de “luxúria” era aceita, atraindo assim a ira de Deus) para identificar o homem que gostava de se relacionar eventualmente com outro, este ser era considerado um verdadeiro “safado”, um pecador, que após rezar algumas “aves Maria” era então perdoado. Isso já não acontecia com o recém descoberto homossexual, cria-se então um personagem com toda uma conduta pré estabelecida, com uma patologia definida, e até mesmo com uma pretensa cura. Este personagem só se libertará deste estigma em 1970, nos EUA, quando pela primeira vez na história, a “homossexualidade” deixa de ser uma patologia. Infelizmente outros personagens tão interessantes e complexos como os transexuais, transgêneros e travestis, não tiveram a mesma sorte e continuam até hoje sendo considerados como doentes mentais, exceto na França, que em 2010 se tornou o primeiro (e infelizmente único) país do mundo que além de considerar os desviantes sexuais como normais, considerou os desviantes de gênero como normais também. Por isso, desconsidero as descobertas psicológicas, fisiológicas, biológicas que tentam explicar a homossexualidade latente do ser humano, pois tentam explicá-la ainda como se fosse uma doença, que necessita de uma explicação e futuramente de uma erradicação. 
Aprecio a minha liberdade de ser o que sou, sem precisar me explicar o que sou, sem precisar me entender.
Mas esta é apenas a minha opinião, doentes mentais ou normais, esta patologia impediu por muitos anos que nós homossexuais exercêssemos nossos direitos civis, e ainda hoje, quarenta e dois anos após a nossa despatologização vivemos à sombra da sociedade, somos considerados um tabu e a homofobia social é implacável, desde o começo do ano no Brasil, se mata um homossexual ou transexual a cada 24hrs, levando o Brasil a ser considerado um dos países com o mais alto nível de homofobia do mundo. Triste.
Uma cultura tão massacrada quanto a cultura gay, que nasceu, se criou e se alimentou nas rebarbas sociais acabou se ramificando com o passar dos anos.
Cada subcultura gay reflete uma forma aprendida de lidar com a atração sexual, o desejo, a revolta, a proibição, a inclusão ou a exclusão social. 
No começo dos anos oitenta em São Francisco, uma dessas subculturas ganha nome, os “Bears”. 
Nascidos de uma fusão dos gays motociclistas, leathers e "girth and mirth" (Cintura e alegria, uma outra subcultura da comunidade gay de gordos e obesos), eram em sua maioria homens que lutavam contra a imposição de padrões de beleza física no mundo gay, principalmente o padrão “twink” (jovem, magro e sem pelos) que não correspondia a grande parte da população gay. Também havia no movimento Bear, uma batalha contra o comportamento gay estereotipado, mostrando que gays poderiam atuar como qualquer outro tipo de homem ou trabalhador na sociedade, não precisando tornar-se uma caricatura do que os outros pensavam a respeito de como um homossexual deveria ser/agir.


No Brasil, a subcultura Bear chegou nos anos noventa nas principais capitais do país, transformando milhares de homossexuais em “ursos”. Já menos idealizada, bem mais conhecida e reconhecida, a “comunidade ursina” se tornou um ponto de encontro e porque não refúgio para homens que não se encaixavam nos padrões de beleza masculina atuais, e para admiradores deste biótipo específico. 
Um urso é um homem com pêlos corporais mais protuberantes (ou não), e um corpo maior que o comum, gordo e/ou obeso que já esteja na faixa dos quarenta anos. Felizmente a comunidade ursina tem atraído cada vez mais adeptos aumentando a ramificação de tipos de ursos, os mais conhecidos são os ursos jovens, considerados “filhotes”, outros apenas com pelos corporais e musculosos são conhecidos como “muscle bears”, os que tem apenas pelos e são magros são os “lontras”, e os admiradores de todos estes biótipos (fazendo parte deles ou não) são considerados “caçadores”.
Com o distanciamento da ideologia inicial, a comunidade ursina cada vez mais se tornou um grupo aberto de indivíduos com interesses comuns. Infelizmente isso gerou uma certa padronização comportamental nos ursos. 
Os ursos são tidos como homens do tipo “macho”, que não possuem qualquer tipo de traços homossexuais, devem interagir entre si, deixando muitas vezes os caçadores um tanto isolados e à margem da comunidade.
 Muitos admiradores que procuram o mundo ursino, procuram justamente por esta lenda que é o perfil do urso atual, o machão peludo e musculoso com trejeitos heterossexuais, nos maiores sites de relacionamentos da comunidade ursina é comum encontrar desavisados, ou pessoas que procuram apenas o ideal de urso: “não curto bichas”, “miou acabou o tesão”, “só acima de 50”, “só abaixo de 50”,“não curto gordos”, “curto gordos, não obesos”, “só sarados e magrelos” entre outras coisas pipocam na maioria dos perfis, mas a grande parte dos integrantes de tais sites de relacionamentos buscam apenas o ideal do machão peludo, lenhador, caminhoneiro, musculoso, que não condiz com a realidade da maior parte dos ursos ali cadastrados. Hipocrisia a parte, é óbvio que cada ser humano tem o direito de gostar ou não de um biótipo, um grupo ou mesmo uma característica física que mais lhe aprouver, mas muitos já não sabem mais o que esperar deste grupo que cada dia mais se ramifica, ganha exposição e distancia-se mais de sua origem como comunidade underground da cultura gay. Mas como toda a luta contra a padronização da beleza e do comportamento homossexual que determinaram o surgimento da comunidade ursina, tornaram-se hoje, a sua mais conflitante característica? 
Eu mesmo tenho uma experiência pessoal com a minha breve passagem pela comunidade ursina para relatar. Durante toda a minha vida, fui um urso, mesmo sem o saber. Possuía pelos corporais, estava constantemente e as vezes muito acima do peso ideal, totalmente adepto de tatuagens, piercings, blusas xadrez e barba. E antes do mundo ursino, sempre mantive relações com outros homens que não sei bem o porquê, não me viam como um urso, muito menos eu os via como ursos, lontras, caçadores etc. 
Mas com o passar dos anos a minha capacidade em tolerar a imbecilidade alheia foi diminuindo amargamente, frases como “fulano te achou gordinho demais”, “você precisa perder umas arrobas”, “se você emagrecer você vai pegar todos, você tem um rosto lindo” estavam presentes na minha realidade, não que eu me importasse demais com elas, mas quando fui apresentado ao mundo ursino pela primeira vez, senti que finalmente havia encontrado o meu lugar. Afinal, estaria lidando com pessoas iguais a mim e com pessoas que mesmo não sendo iguais a mim admiravam ou achavam perfeitamente aceitável o que eu era. Ledo engano.
Não me culpem por esta inocente e utópica expectativa, afinal, ainda era um neófito. À medida que me aprofundava no mundo ursino, cada vez mais encontrava pessoas completamente diferentes de mim e a maior parte delas não achava nem um pouco aceitável o que eu era, para minha surpresa, estar dentro do mundo ursino era exatamente a mesma coisa que estar fora dele.
Ou seja, o número de homens interessantes (pra mim) no mundo ursino era tão escasso quanto o número de homens interessantes fora dele. Tive um grande choque ao perceber que minha vida afetiva e sexual não mudaram em absolutamente nada, incluindo minha auto-estima e minha melancolia não haviam sequer saído do lugar. 
O que eu levei muito tempo para perceber, é que o urso lindo e educado que conheci, seria o moço lindo e educado que eu adoraria conhecer, assim como aqueles caçadores super fofos, inteligentes e instigantes seriam os rapazes super fofos, inteligentes, instigantes que eu também adoraria conhecer caso não soubesse da existência do mundo ursino. Com o tempo ficou claro pra mim, que o mundo ursino servia basicamente para reunir pessoas extremamente diferentes com poucos interesses em comum. Resumindo, o mundo ursino é simplesmente o mundo real disfarçado, e isso é maravilhoso.
Hoje em dia não me considero mais um urso, porque percebi o quanto este título é parecido ao título que eu já tinha antes de sê-lo, ou seja: um cara qualquer. Mas sim, quando me chamam de urso, ursinho, filhote, etc, eu tenho um orgulho imenso de ao menos em nome, representar uma ideologia tão nobre, e um grupo de pessoas tão corajosas que são fiéis a seus corpos, aos seus desejos, não importando o que a padronização ou massificação lhes dita. 
E para concluir esta pequena resenha sobre minha visão do mundo ursino, posso dizer que eu, quanto indivíduo, cidadão, sodomita, homossexual, homem acima do peso com pelos corporais, urso, filhote, etc, irei lutar pela igualdade sempre que a diferença me discriminar e lutarei pela diferença sempre que a igualdade me descaracterizar. 





MANUAL SINCERO E PESSOAL DO URSO NEÓFITO


Entrei no mundo ursino sem a menor orientação, escrevi e-mails para as maiores revistas e sites do ramo pedindo dicas de como me comportar no mundo ursino, como utilizar o mundo ursino para me enturmar, e até hoje, não recebi sequer uma resposta. Por isso aqui vai um compêndio da bear-etiqueta pra você não fazer feio e conseguir desfrutar o mundo ursino da melhor maneira possível, seguindo algumas dicas básicas que consegui a duras penas reunir durante este ano. Nenhuma delas pode ser considerada uma regra pois sempre existe a exceção, mas são sinceras e geralmente estão corretas.

1- Se você é gordinho/gordo/obeso saiba que não será idolatrado como um deus no mundo ursino, por isso entre nele com a noção clara de que você não precisa dele para elevar a sua auto-estima e nem para se sentir aceito, você deve fazer isso sozinho e por si mesmo.

2- Se você é caçador e também não se encontra nos padrões do mundo ursino mas gosta de ursos, clássicos ou modernos e se sente de certa forma excluído, recomendo paciência, o seu ursinho vai chegar, seja especifico quanto ao tipo de urso que busca e boa sorte.

3- No mundo ursino os caçadores dizem que os ursos são galinhas, os ursos dizem que os caçadores são galinhas, e todo mundo no final faz suruba. Portanto sem hipocrisia, saiba aproveitar o mundo ursino em geral, e seja bastante enfático quanto aquilo que você realmente precisa, para não se sentir vazio ou decepcionado.

4- Se você é gordinho e tem baixa estima devido a não se encontrar no padrão de beleza atual e acha que no mundo ursino irá encontrar aquele boy magia sarado e lindo que não se importará com suas gordurinhas a mais, tire seu cavalo da chuva, a maior parte dos caçadores deste tipo são divididos em 3 características: procuram homens acima dos 60 ($$$), procuram o padrão urso de filmes pornôs como o Sagat, ou esta ali desavisado sem saber o que é um urso e procura semelhantes, por isso não tente utilizar o mundo ursino para melhorar a qualidade de homens que você pega, mesmo porque já esta na hora de você aprender que qualidade não se define por abdômen sarado ou qualquer outra característica física que esteja na moda.

5- Ursos são passivos, ursos são novos, ursos são velhos, ursos amam moda, ursos são afetados, e o principal ursos também são gordos, vamos parar com essa idiotice que o verdadeiro urso é aquele ator pornô careca tatuado sarado e peludo que come o cara de bota, ele também pode ser um urso, mas isso não faz dele a regra, esta mais para exceção.

6- Particularmente não conheço muitos revistas ou blogs que tratem do assunto de maneira clara para que eu possa recomendar (se alguém conhecer, deixe o link nos comentários), blogs que recomendo são o Woof Brasil (www.woofbrasil.com) e o Bear Nerd (www.bearnerd.com.br/), ambos exploram diversos temas bears e também temas gerais de maneira bem humorada, existe também o maior site brasileiro de relacionamentos ursinos que é bem legal pra você conhecer pessoas interessantes, mas é claro, respeitando as regras acima (www.ursos.com.br), quanto as festas, bares, etc, que acontecem sempre, nenhuma me pareceu diferente de qualquer outra festa, ou bar, etc, mas isso é questão de gosto, se informe e curta muito lembrando das regras acima. Quanto a aplicativos de celular, recomendo apenas o “Growlr” aparentemente é o único aplicativo em que as pessoas parecem saber o que realmente é o mundo ursino.

7- Por ultimo, não se esqueça que qualquer microcosmo é na verdade o macrocosmo em miniatura. Ou seja, os problemas que você enfrenta do lado de cá, enfrentará também do lado de lá. Não encare o mundo ursino como sua tabua de salvação ou sua única saída, encare ele como uma opção e aproveite-a da melhor maneira possível, lembre-se sempre que o mundo ursino é uma versão disfarçada do mundo real, entre nele e seja um urso, um filhote, um muscle-bear, um lontra ou um caçador, mas acima de tudo, esteja preparado para ser aquilo que você realmente é, seja você o que for...


É bem isso meus queridos.
Beijos sinceros. 



24 de maio de 2012

Par de luvas azuis.






Filho, lego-te a virtude, a pena que não mente. 
  Outros ensinar-te-ão a felicidade.
Virgílio


Tem sido observado em todas as eras que a mudança quando derradeira, se estabelece. Foi assim com meu filho mais velho. Desde seu nascimento, é uma criatura fadada a ser imposta sobre a existência de outras, foi imposto a mim e a sua mãe no delírio de nossa mocidade, sua presença ainda pequenina, completamente inocente, nos amadureceu quase que instantaneamente.
As esferas giraram, e meu  filho continuou com sua missão de impor-se sobre nossas vidas, era algo tão natural de sua alma esta imposição de si, que mal a percebíamos, até outra mudança se estabelecer. Lembro perfeitamente quando sua mãe me chamou, e me contou, com sua simplicidade de mulher sensível a todo o universo, que nosso menino gostava de outros garotos, inclusive naquele momento sofria por um.  
Me pouparei agora da hipocrisia do mundo e da palavra decepção, até mesmo da palavra surpresa, pois não havia nada disso, sempre soube que ele não era o rapaz convencional, mas sentia algo especial nele, algo que o levaria adiante do ponto em que todos nós chegamos.
Mas não conseguia lidar com a situação do meu filho apaixonado pelo filho de alguém, afinal devotei minha vida as mulheres, em especial a sua mãe. Não saberia como julgá-lo, não saberia como me portar com o outro. Sofri por um tempo do “complexo de José”, criando um filho singular que não poderia ser meu, não se parecia comigo, e enquanto me fazia José, sua mãe fazia-se Maria, intercedendo por ele em nossas conversas na cama, mas como progenitores, desde os primórdios da evolução lutamos para manter as coisas que são nossas, e como um neandertal lutei, não muito confesso, mas mantive-me pai.
Depois de passar uma temporada na capital fazendo faculdade, ele voltou a morar conosco, sentíamos ele um tanto distante da realidade, perdido, foi quando se envolveu com um outro rapaz, chegamos até a ficar aliviados naquela ocasião, mas pressentimos o desastre quando o até então perfeito pretendente se negou a acompanhá-lo no cinema para assistir os tais ‘X-Men’, banal demais, eu sei, mas só quem o criou sabe o valor que ele dá pra esses mutantes com quem tanto se identifica.  “O dia dos namorados esta chegando, vamos ver se eles sobrevivem!”, sua mãe quase como uma sacerdotisa pitonisa profetizou.  Meu filho estava passando por algumas dificuldades financeiras e pediu que ela comprasse o presente de “dia dos namorados”que ele entregaria ao rapaz, ela por sua vez me delegou essa missão, afinal era homem e saberia o que comprar. Decidi comprar para o rapaz que ainda não conhecia um isqueiro Zippo, um presente agradável de se receber. Ela me aconselhou a comprar um preto afinal o tal rapaz era ‘roqueiro’, mas talvez por uma intuição paterna, se é que isso existe, comprei um azul claro, que era a cor favorita do meu filho.
E então o dia dos namorados passou, meu filho não saiu de casa, segundo sua mãe, parece que o tal do rapaz havia “desaparecido”, mas naquela noite (dois dias depois), ele passaria em casa para que ambos conversassem e se acertassem em relação ao desencontro do dia dos namorados.
Da janela da sala observei meu filho no portão esperando pelo rapaz, ele acendeu um cigarro com o isqueiro Zippo azul claro. Obviamente sua decisão estava tomada.
Hoje ele está solteiro faz um bom tempo, acredito que a maturidade tenha diminuído extremamente sua vontade em tolerar as pessoas, não o culpo. Esses dias me pediu que comprasse um par de luvas azuis, mas um modelo sem dedos para que pudesse escrever. Estou ciente que o dia dos namorados se aproxima e que sua situação financeira também não anda muito boa, mas sua mãe me disse que ele ainda não esta devidamente envolvido com ninguém, ela apenas riu enquanto fazia seu café diário, desdobrando o aroma dos grãos por toda a casa, “você precisa estar ciente que como pai, você ainda é o único homem de quem ele sempre terá a certeza do amor absoluto, sincero e abnegado, com todas as convenções sociais de pai e filho, etc...” 
Não que isso não seja verdade, afinal amo-o, mas sempre esperei e creio que ele também esperava, um pouco mais de felicidade em sua existência do que ganhar do pai um par de luvas azuis do pai. Mas já diria o poeta, muito melhor viver sem felicidade do que sem amor.





Crônica inspirada em minhas inusitadas aventuras com meu pai.
Afinal, a coisa mais importante que um pai pode fazer pelo filho, 
é amar a mãe dele, basta isso, e todas as lições são aprendidas.




11 de abril de 2012

O cumprimento da solidão.

Solidão - Marina Harris



"No deserto estão secas as pedras que no mar se molhavam.
A semelhança confunde o eremita, que solitário demais passou 
o tempo entregando-se á solitária memória.
Aqui, a pedra seca, para o eremita não perdeu a qualidade úmida 
de poder ter estado aos pés do mar..."


Poética do Eremita, Fiama Hasse Pais-Brandão



Uma noite no verão deste milênio, lembro-me perfeitamente de ter me sentado na varanda da casa de alguma amiga e em sua companhia tentei, ao menos da melhor forma que podia devido à leve alteração dos sentidos causada pelo álcool consumido anteriormente, procurar em minha mente algum tipo, qualquer tipo de homem ou criatura que me interessasse e que por um feliz acaso do destino estivesse já de alguma forma inserida em minha realidade, seja fisicamente, profissionalmente, qualquer um dos cento e trinta mil habitantes de minha localidade.
E então a resposta veio assustadoramente clara, uma resposta tão real, tão tangível, bem ali ao meu alcance, aquele tipo de certeza tão óbvia que quando a procuramos simplesmente a encontramos, mesmo que esta não seja a maneira mais divertida de encontrar aquilo que queremos, gostamos da busca, da dúvida, da caçada animal, algo que sempre esta ali a distancia de um toque não nos agrada, e a resposta para a minha pergunta esteve sempre ali, talvez por isso tenha demorado tanto para que finalmente pudesse enxergá-la: não havia ninguém, não há ninguém.
Não há ninguém aqui por perto que eu queira de fato conhecer, sem que de alguma forma já não tenha conhecido. Minhas preocupações quanto a este alguém ultrapassaram as esferas epidérmicas do ‘encaixá-lo na minha vida social’, ‘ter bom gosto musical’, ‘não ligar para o fato de eu estar acima do peso’, ‘não se importar por eu ser fumante’, entre tantas outras preocupações nebulosas que a primeira vista parecem tão aterrorizantes, mas depois de uma pequena reflexão tornam-se fúteis demais...
Tudo ficou para trás de repente, todas as perguntas não respondidas, todas as suposições, simplesmente pelo fato deste alguém não existir, ao menos não aqui, que eu saiba.
Nada disso tem haver com as expectativas quanto ao parceiro perfeito, à relação perfeita etc, como disse, todas as esferas fúteis já foram transpostas há muito tempo.
Bem, a verdade é que ser homossexual já dificulta muito conhecer alguém através das maneiras convencionais, afinal nós vivemos em um microcosmo mais fechado, onde geralmente todos se conhecem de alguma forma, então é muito raro, salvo raras exceções, conhecer alguém completamente novo, alguém cuja existência você desconhecia completamente até aquele momento em que trocaram olhares, e esta é infelizmente uma das coisas que mais valorizo. 
A internet neste ponto é uma tabua de salvação, só que não. Ao mesmo tempo em que ela possibilita encontros determinantes em nossas vidas, com almas profundíssimas, com indivíduos que gostaríamos de reproduzir em larga escala, ela nos limita ao contato virtual. 
Sim, todos praticamente já tiveram em algum ponto uma paixão/relação virtual, alguns de nós, como eu, já enfrentaram pelo tempo que puderam os limites que essa virtualidade impõe sobre um casal. E como sempre, cedo ou tarde o laço se desfaz, desistimos, afinal é um trabalho de Hércules organizar em nosso dia-a-dia a equação ter/não ter alguém/ninguém. 
 A sensação de estar isolado em uma área cujo cumprimento é incalculável, onde o único ser vivo da sua espécie é você é terrível. Creio que esta sensação apenas eu e o Mico-Leão-Dourado conhecemos de perto. Não que eu seja um ser em extinção, pelo contrário, como eu existem tantos e tantas, todos do mesmo planeta, o planeta ausência-de-qualquer-coisa-que-não-seja-nós-mesmos, vinte e quatro horas por dia. 
Uma vez me disseram que ter um relacionamento é adquirir uma testemunha voluntária para sua existência, e enquanto não se adquire tal testemunha, vivemos sós, para nós. Já diria o Mefisto de Goethe que até mesmo o paraíso se transformaria no inferno se estivéssemos nele sozinhos, obviamente não penso que os solteiros do mundo inteiro vivem num inferno, afinal ser solteiro não é sinônimo de ser sozinho, e ser sozinho também não é sinônimo de solidão.
Eu mesmo não sou um ser sozinho, tenho inúmeras almas irmãs da minha que me cercam, me cuidam, me enxergam, mas o que de fato me preocupa é o diâmetro desta solidão em que me encontro, a solidão da perspectiva de encontrar alguém, para resolver esta equação só me resta uma coisa, o raio.
O raio eu irei obter apenas quando o ponto ‘B’ se apresentar na minha vida. Sim, porque se sou o ponto ‘A’, ao me ligar finalmente ao ponto ‘B’ estabelecerei a distancia do raio e poderei calcular finalmente o cumprimento deste meu mundo onde só eu habito, onde só eu estou dentro do espelho todas as manhãs. 
Não encarem este texto como uma reclamação, é apenas a constatação de que por mais independente que seja uma alma, por mais livre que tenhamos nascido e que nos tenhamos mantido durante toda a vida, até mesmo o diâmetro de nossa existência só poderá ser identificado através do raio, o raio que liga você até a outra pessoa que por enquanto está do lado de fora, mas que um dia estará dentro de você, e então ambos fecharão as portas.





A + B = R
C = 2 x π x R




26 de julho de 2011

A árvore.

A Árvore Vermelha - Piet Mondrian

“Um lugar bravio, santo e encantado,
Como nenhum sob a pálida lua visitado
Por mulher em prantos ou pelo demônio amado.”

Rudyard Kipling


Fortuna saiu de casa cedo, suas malas já estavam prontas, o carro previamente abastecido e revisado, a antecedência lhe acompanhava. Não conhecia o caminho, mas soube que grande parte da estrada ficava emparelhada a uma velha ferrovia que não era mais usada, podendo assim se situar, o dia estava nublado com a temperatura amena, sentia que seria uma viagem tranquila, sem imprevistos.

Tinha certa noção de onde queria chegar, por isso não se preocupou com os meandros do caminho, estava indo em direção a um cliente, em uma cidade do interior, este promovia anualmente uma festa folclórica na cidadezinha e ela era a organizadora do evento, passaria dois dias hospedada em um hotel, acompanhando os festejos.

Tudo foi antecipadamente marcado, sua antecedência era uma qualidade adquirida com o tempo, o seu maior diferencial no mundo dos eventos, cheios de imprevistos, era que, com ela, isso jamais acontecia.

Manteve a velocidade limite facilmente, sem músicas para lhe distrair os sentidos da bela paisagem que, aos poucos, o horizonte lhe permitia ver, relaxada como estava, pensou em coisas do passado, no amor, na faculdade, quando ainda virgem se apaixonou por um moço em especial, um que lhe interessava, bonito, com um aspecto serio, sem sorrisos, seguro de si.

Entregou-lhe sua virgindade, e, como imaginava, ele cuidou bem dela. Despiu-lhe cuidadosamente, a fez tremer de prazer, mas não muito, e então foi embora, como ela já esperava. Sempre imaginava com antecedência quando uma relação começaria ou terminaria e nem sequer se dava ao trabalho de terminá-la, sabia quando o companheiro tomaria a atitude final.

E há dois anos ou mais, não havia companheiro, apenas o final, que desta vez, se prolongou mais do que ela esperava. Estava sozinha, ela e a sua antecedência, prevendo-lhe os próximos passos.

O dia começava a ficar mais abafado pela chuva que se formava, abriu as janelas do carro, deixou um braço apoiado na porta sentindo o vento empurrando sua manga, colocou os óculos escuros e dirigiu mais alguns metros, até que num cruzamento da antiga ferrovia, que vez ou outra aparecia serpenteando paralelamente a estrada, estava um estacionamento de concreto no meio do nada, com uma cerca de segurança para evitar que as pessoas despencassem no pequeno barranco adiante, ali havia o carro de uma família, decidiu parar para fumar um cigarro.

Desceu do carro, e educadamente cumprimentou o casal que tinha uma filha de aparentemente nove anos, sentia-se desconfortável fumando na presença de crianças, por isso depois de um rápido aceno com a cabeça, se afastou para sentar-se na pequena cerca. A mulher da família, uma moça jovem e animada veio falar com ela, lhe disse animadamente que entrando um pouco na mata que ficava alem da cerca, descendo o barranco, depois de cinquenta metros ficava uma árvore linda, que valia a paisagem inteira, inclusive a parada ali, disse que antigamente, aquela ferrovia era muito utilizada no interior do estado e as moças e rapazes das cidades da redondeza, amarravam fitas com o nome dos viajantes nos galhos da árvore, para que estes se apaixonassem e sempre retornassem.

Fortuna achou uma história bonita, mas com o passar dos anos, havia perdido grande parte de sua sensibilidade romântica, a história a tocava, mas apenas superficialmente.

 Muito tempo depois que o cigarro havia acabado e o casal havia partido, Fortuna ainda estava sentada lá, pensando coisas sobre seus dois dias na cidade desconhecida, e sobre o seu cliente, um homem que conhecia apenas pela voz, nos inúmeros telefonemas noturnos que lhe fazia, uma voz masculina qualquer, mas com um tom educado e polido, um vocabulário tão bem elaborado, que por vezes, se via imaginando como deveria ser o dono daquela laringe masculina que vibrava com tamanha destreza.

O lugar onde estava agora ficava a menos de meia hora da cidade em que ocorreria a festa e Fortuna estava antecipada, pensou que seria interessante ver a tal árvore e fotografar com seu celular para enviar as suas amigas, que ainda não haviam perdido completamente aquela delicada veia romântica.

 Ultrapassou o limite de segurança, e desceu o barranco que tinha menos de dois metros e uma inclinação agradável de grama verde, mesmo de salto não teve dificuldade em chegar ao vale que ficava abaixo, e, depois de alguns passos, pode ver a árvore.

Parecia um salgueiro muito antigo, o tronco grosso e alto, a copa completamente seca com galhos negros retorcidos, porém, mesmo com o tempo nublado, a árvore ainda parecia simpática, e de fato, era uma visão fenomenal, quase todos os seus galhos estavam atados com fitas coloridas.

O vento as balançavam e a árvore parecia viva, brilhante, como se estivesse no auge da florescência. Fortuna percebeu que algumas fitas eram visivelmente antigas, desbotadas completamente pelo sol, pela chuva, pelo tempo, nas fitas estava escrito de maneira vertical o nome de inúmeros desconhecidos, lembrou-se que eram os nomes dos viajantes que deixaram alguém apaixonado para trás, e esta paixão, era concentrada naquelas fitas que depois de atadas aos galhos do Salgueiro, funcionavam como um farol, mostrando sempre a direção em que o viajante deveria regressar, a direção em que o amor o esperava.

Não tirou fotos, apenas admirou a beleza daquela árvore atada com fitas coloridas no meio do nada, sentia-se feliz por estar ali, e por estar como sempre, adiantada.

Uma das fitas era visivelmente mais nova, de seda vermelha, brilhante, como se tivesse sido colocada lá recentemente, Fortuna pensou no tipo de pessoa que mesmo hoje em dia, se permitia um costume tão antigo e belo.

Aproximou-se, tocou as fitas lendo os nomes nelas, todos escritos de forma vertical e repetidos três vezes, nomes completos, deixou-se imaginar como seriam aqueles desconhecidos, como conseguiram cativar alguém, a ponto de merecerem ter seus nomes ali, imortalizados. Segurou nas mãos a fita vermelha, a mais nova, e leu o nome que estava escrito nela com uma letra firme e masculina, verticalmente, em preto e com a mesma repetição: Fortuna Alonso de Medeiros

O seu próprio.

A antecedência, a certeza do que viria a seguir, que esteve sempre presente, naquele momento, lhe abandonou.



5 de maio de 2011

E agora Santo Antônio?

"Santo Antônio tenha pena, Santo Antônio tenha dó! Estou ficando velho, estou ficando só!"

Agora que a união estável homoafetiva está a poucos passos de se tornar uma realidade na vida de mais de 60 mil casais homoafetivos que existem no Brasil segundo o último senso do IBGE, e sendo o Brasil o país mais católico do mundo, como fica Santo Antônio nessa história?
Sim, porque se existem 60 mil casais gays, devem existir ao menos milhões de gays solteiros a procura de um amor (o/) e muitos deles, desesperados (o/)², agora que o casamento Gay já está quase aprovado, será que rola essas simpatias pra Santo Antonio arrumar um bom casamento para os rapazes e moças que gostam do mesmo sexo? Bem, existem com certeza muitas moças heterossexuais solteiras importunando Santo Antônio neste exato momento, pode apostar que devem haver milhares de imagens do Santo de ponta-cabeça, embaixo d'água, dentro do freezer, enroladas com uma faixa, fora que nem o C.S.I. poderia encontrar o lugar onde as moças esconderam o menino Jesus que o coitado do Santo segura.
Enfim, com a aprovação da união estável homoafetiva, os gays vão entrar na tal lista de espera de Santo Antônio, e se ela for igual ao S.U.S., nós gays que estamos chegando agora vamos pegar a senha 213786322364436234329423187782130.
Triste. Para dar uma folga para o querido Santo Antônio, bem que poderia existir um Santo Casamenteiro Gay! E não é que existe!?! E por falta de um, são dois!

Reprodução: São Sérgio (à esq.) e São Baco são os padroeiros do casamento gay.

Bem, é realmente estranho pensar que existam santos gays, isso soa até como uma blasfêmia, uma vez que a religião católica e praticamente todas as religiões cristãs condenam a homossexualidade. Mas há teses de que a igreja teve, sim, santos que, no seu passado, tiveram relações com pessoas do mesmo sexo.
O caso mais famoso é de São Sérgio e São Baco, que foram mártires no início do século IV.
No começo do século IV d.C., Sergio de Resapha e Baco de Barbalissus - considerados "erastai" (casal de amantes) - viviam em Coele na Síria. Eram dois importantes nobres romanos que desempenhavam altos cargos no exército do imperador Cesar Maximiano. Sergio como primicerius, uma espécie de comandante, e Bacco como secundarius, seu auxiliar direto. O grupo que comandavam, composto de bárbaros, era chamado de Schola Gentilium (Escola dos Pagãos). A homossexualidade de Sergio e Baco não representava nenhum problema. A comunidade cristã daquela época, não só recebia bem os gays, como também os unia em matrimônio. - Este acolhimento foi descrito pelo historiador da Universidade de Yale, John Boswell (1947-1994), autor de inúmeros títulos sobre o assunto, que publicou suas pesquisas sobre os Santos da igreja no livro "Cristianismo, Tolerância Social e Homosexualidade" (Ed. Munchnik) - Convertidos ao cristianismo, Sergio e Baco foram denunciados pela recusa de participar de ritos pagãos, e quando Sergio e Baco assumiram oficialmente sua fé cristã (saíram do armário), a punição foi terrível. Ambos foram açoitados, até que Baco morreu, e Sérgio que havia sobrevivido aos açoites, teve que fazer uma peregrinação usando sandálias com pregos, até não conseguir mais se mover, quando foi então, decapitado.



O fato é que São Sérgio e São Baco viraram ícones do movimento gay, suas imagens servem à defesa da união civil entre pessoas do mesmo sexo, cujas cerimônias são seladas em muitos lugares do mundo, com a leitura da oração aos dois santos. Eles têm até um dia consagrado oficialmente no calendário Católico: 7 de outubro.

Oração pronunciada durante a cerimônia do matrimônio religioso cristão entre pessoas do mesmo sexo.  Pantaleimon 780 del Monte Athos, século XVI – traduzido do grego.

"Ó Senhor, nosso Deus e Governante, que fizeste a humanidade à tua imagem e semelhança, e lhe deste o poder da vida eterna, que aprovaste quando teus santos apóstolos Felipe e Bartolomeu se uniram, juntos não pela lei da natureza e sim pela comunhão do Espírito Santo, e que também aprovaste a união de teus santos mártires Sérgio e Baco, abençoe também a estes servidores _____ e _____, unidos não pela natureza mas pela fidelidade e pela alma. Permite-lhes, Senhor, amarem-se um ao outro sem ódios e poderem continuar juntos todos os dias de suas vidas, com a ajuda da Santa Mãe de Deus e de todos os teus Santos, porque teu é o poder e o reino e a glória, Pai, Filho e Espírito Santo."


 

26 de março de 2010

O Mal-amado...



"Mal amado é? Humpf!"


Francamente espelho meu, porque me sinto assim tão desconfortável?
Acho isso tão estranho, mas confesso que o que me incomoda mais, não é o meu desconforto em si, mas o conforto dos outros.
Mal-amado é? Meu cú!
Vejo tantos homens, com tantas formas diferentes desfilando por aí dentro de seus corpos, ajustados, confortáveis, com movimentos leves, seus pés sequer tocam o chão.
Se olham no espelho, e gostam daquilo que vêem lá dentro, ou pelo menos não se importam tanto.
Se ao menos este meu desconforto fosse algo mais coletivo, eu me sentiria um tanto melhor.
Não entendo ainda o que se passa comigo, porque me sinto assim tão desconfortável, sempre insatisfeito, sempre desviando o olhar do espelho, ou olhando fixamente para ver se algo mudou, uma mudança milimétrica ja estaria de bom tamanho.

" Ai doutor, to muito gordo, to parecendo um rinoceronte amestrado!"


Mas não, não acontece porra nenhuma, é sempre o mesmo tonto me olhando de volta.
Estou por aí sempre querendo me diminuir, sempre me aquietando, quando de fato deveria estar verbalizando, passando vontade e depois me arrependendo, quando o mais fácil teria sido ao menos tentar, passando fome quando a minha vontade era de me esbaldar, comer e comer por mim, pela Etiópia e pelam torcida do Corinthians, ficando sóbreo quando queria me embriagar.
Pro inferno todos eles, se é que de fato existe um "eles".
Quem é que vive por detrás destas pupilas, e faz todos estes (pré)julgamentos? Quem é que deseja? Quem é que proibe? Quem lhe diz o que é bonito? E o que é feio? Quem sofre no final? E por quem?
Roberto, meu caro, lhe darei dois conselhos para você levar por toda a sua vida:

1° Escute apenas a si mesmo.
2° Jamais escute a si mesmo.

Entenderam?
Nem eu.

"Mas nem pagando, os bofes tão me querendo!"


Andei aqui pensando mais um pouco sobre este lance de ser o mal-amado, a persona non grata, o vilão da novela do Manuel Carlos que quer destruir a pobre (Leblon? Pobre? Ahãm Claudia, senta alí...) e voluntariosa Helena.
e ja que a carapuça me serviu muito bem, e estou contente com este meu papel de mal-amado, aí vai mais uma revolta, ou várias revoltas tudo junto e misturado:
Os casais.
É claro que existem dias em que acordamos querendo ser uma mistura de Madonna, e Bradd Pitt, e nos frustramos quando vemos que estamos mais pra Geisy Arruda misturada com Netinho, mas não tem problema, é normal acordar 20%, achando tudo uma grande palhaçada, sem paciência, sem porra nenhuma.
Por exemplo, eu nunca fui convidado pra uma festa que tivesse pilhas, e mais pilhas de Ferrero Rocher, o que me causa uma grande revolta. Eu também nunca ganhei um Ovo de páscoa de um pseudo-namorado, ficante ou tico-tico-no-fubá que tive, nem um ovo desses chocolates de guardachuvinha, o hidrogenado.


" Doutor, me veja uma fórmula,
um moderador de apetite de elefante, um veneno, qualquer coisa!"


Fora que utimamente tem acontecido um Poltergeist na minha vida, verdade. Um Alienígena filho-da-puta que não tem nada de fofo como no filme E.T., entrou na minha casa durante a madrugada e desregulou a minha balança, só pra rir com a porra dos amigos et's dele, lá no bairro dele em Marte, ou na puta que pariu, olhando pra minha cara de babaca ao constatar que do dia pra noite contrariando todas as leis de Newton e o caralho a quatro, eu engordei 5kgs, numa espécie sádica de Big Paspalho intergalático.
(Bem, pelo menos essa é a minha teoria pro mistério da balança desregulada que ronda a minha vida.)
E ainda tem gente que pergunta:
- Desde quando você faz regime?
- Desde que sou gordo caralho!

Agora me fala se depois de tudo isso, de tanta insatisfação, eu sou obrigado a encarar duas horas dentro de uma lotação literalmente lotada, pra chegar até a minha faculdade pensando no porre de aula lazarenta que vai ser aquela cheia de pseudo-filósofos querendo aparecer um mais que o outro, citando frases famosas de ilustres desconhecidos, e dizendo que Van-Gogh era conhecido SIM em sua época, mesmo que em vida o desgraçado não tenha vendido sequer um quadro!!!
Enfim, minha mente dentro da lotação ja vai matutando tudo isso quando olho pro lado e tem dois panacas se catando, e não é aquela catação periguete não, os filhos da puta tem a cara de pau ainda de ser romanticos.

PUTA MERDA! ASSIM VOCÊS ME FODEM!!!

"Ai, vou tomar um Baygon, o Baygon sempre ajuda nessas horas dificeis!"


Olhinhos brilhantes, juras de amor, mãos bobas, aquela carinha de tapada, aquela carinha de futuro pai de familia, aquelas vozes afetadas como se estivessem conversando com uma criança da Apaee, aqueles apelidos tontos, esses dois imbecis formam uma raça que desprezo:
Os casais.
E é nesses momentos, que eu renuncio ao meu paganismo, e clamo a Jeovah, a @Ocriador, e até a @Nossa_senhorita num momento de profunda fé e devoção cristã, que eles enviem mais um dilúvio para que então uma Arca 2.0 leve todos os casais embora da minha vista, e deixassem mais uma vez só os solteiros se acabando na chuva aqui do lado de fora.
(Sou paulistano, estou acostumado com chuva!)

"- Esse Baygon tá mais parecendo água-de-xuca!"


Droga, acabei de voltar da padaria onde comprei uma vodka, e todo mundo ficou me olhando torto, só porque nem são dez da manhã ainda. CARALHO, quer dizer que não posso beber?
Ainda o guardinha da guarita do meu prédio disse:
- Mas ja foi bebê?
Numa demonstração crônica de uma intimidade que nunca havia lhe dado.
Dei um sorrisinho amarelo pra ele, mas minha vontade mesmo era ter sido malcriado e respondido:
- Ja fui bebê, ja fui criança, e agora sou adulto!
Meu cú! Preciso de duas coisas, um cigarro e uma boa desculpa pra parar de escrever bobagens e ir cuidar da minha vida...
O cigarro ja está aqui, e como boa desculpa por enquanto eu não tenho, ja que minha vida não anda muito lá essas coisas, vou inventar uma, e vocês façam de conta que acreditaram e somos todos felizes para sempre:





Galera, uma olvelhinha acabou de cair
dentro de um lago aqui perto,
e está encolhendo,
vou lá salvar ela!!!





Beijos sinceros de um homem mal-amado.

hehe


13 de outubro de 2009

A Cama Cobertina



"Uma cama solteira, 
que vive desarrumada, 
toda desfeita, 
sem coberta e escancarada.
A cama é muito solteira e gorducha, 
não é boa de mola, 
e suas pernas eram do tipo rebola-bola.
...
Certa vez, em um passeio, 
encontrou com um leito principesco, 
todo arrumado, limpo, 
com lençol de cetim bordado, 
e até um dossel,
que de tão azul,
foi comparado ao céu.
Após a união, até fotografada 
para coluna social foi.
E os dois se transformaram
em uma cama de casal.
...
Mas Cobertina é uma cama bem doidona
e bem gozada.
Não aguentou viver grudada, 
estuada, tão casal.
Deu um ronco forte, forte.
No marido deu rasteira, e disse:
- Foi tudo um lindo sonho,
eu nasci pra ser solteira!"


A Cama Cobertina, Sylvia Orthof

21 de julho de 2009

Chocolate (Amargo)




Fui eu, não foi Fernando 
Não me olhes assim! 
Claro está 
que se alguém o fez 
fui eu! 
E se não 
quem seria? 
Admito, da culpa, esta imensa alegria: 
egocentrar-se alguém em si 
na importância perfeita 
de ser quem faz, 
o feito 
e as conseqüências 
banha toda a criação com o sangue das desgraças.
...
O teu olhar 
mais que me ver 
me abraça. 

Fui Eu, Renata Pallottini





Primeiramente;
Faz quase um mês que eu não escrevo coisa alguma aqui neste meu confidente virtual, talvez seja porque eu tenha me orgulhado tanto em finalmente ter escrito um post sobre minha heroína favorita Bridget Jones, que acabei me acomodando e tals, acho que vocês entendem como é. Mas acreditem, não há prazer maior no mundo, do que sentir esta simplória Bic azul deslizando nas folhas em branco do meu caderno, e transcrevendo minhas emoções e sentimentos para o mundo real. 
"Os tempos andam dificeis para sonhadores..." frase de impacto que escutei no filme Amelie, uma obra-prima delicada do cinema moderno. Então me peguei esses dias relendo as minhas resoluções de ano novo, e comecei a perceber como as coisas não seguem o seu caminho, ou melhor, como elas não seguem o caminho que queremos que elas sigam. 
Quer dizer, eu ja havia me esquecido de metade da minha lista, e agora que chegamos a metade do ano, esta na hora de pensar : "para onde as coisas estão se encaminhando?"



Eu vi por exemplo que prometi passar mais tempo bebendo com meus amigos, e tenho cumprido muito bem essa promessa, na realidade, bem até demais, preciso parar de beber, eu prometi também visitar a minha avó ao menos uma vez por semana, mas como eu trabalho aos finais de semana, isso se torna praticamente impossivel, amanhã irei no centro fazer compras com ela, ja é um começo. Eu prometi também ficar mais próximo da minha irmã e do meu sobrinho, isso eu fiz. Ela agora está me pedindo até dinheiro emprestado hehehe.
Prometi ficar mais de boa com meus pais, e evitar conflitos desnecessários, e tem funcionado, por enquanto. Mas eu também prometi ficar mais presente na vida de pessoas que eu nem olho mais na cara (vamos pular esta parte!). Eu também prometi terminar finalmente de tirar a minha carteira de habilitação, e falta pouco agora, tenho ainda 5 meses para isso. Prometi arranjar um bom emprego, (ou ao menos um em que a garrafa de chantilly não exploda na minha cara!!!). Prometi fazer mais piercings e tatuagens, e já fiz dois alargadores, (Bom Começo!). 
Prometi também ir visitar meus parentes em São Paulo, promessa que fiz questão de cumprir, e com muito estilo e baladas. foi perfeito. Prometi também entrar na academia, e perder cinco kilos, mas acabei entrando na academia, saindo da academia e engordando uns dez quilos pelo menos (:O), pois é. eu prometi também me achar mais bonito e atraente, mas o fato desse ano eu ter engordado uns dez quilos e ainda caber numa calça 44 é um ótimo começo. E por ultimo, prometi que este ano sem falta, eu largaria a minha faculdade de Navegação, e entraria na faculdade de Psicologia que é meu grande sonho. Mas analizando o fato de que o vestibular será apenas em dezembro, e este ano alem da faculdade entrei num cursinho, e até agora ja passei no vestibular de inverno da Fatec, acho que estou indo pelo caminho certo.
Bem, esta foi apenas a análise das minhas resoluções de ano novo, durante o decorrer deste ano, tive muitas vitórias, derrotas e algumas perdas. Mas acredito que num futuro muito próximo estas coisas que aconteceram farão muito mais sentido para mim do que estão fazendo agora.
É muito dificil para uma pessoa que vive completamente sua individualidade e seu tempo sozinho (sem confundir isso com egoísmo, é claro!) conseguir se consolar em um momento como este, onde algumas coisas começam a se encaixar, enquanto outras saem completamente dos eixos, a vida se torna uma montanha russa. No dia 18 de abril deste ano eu conheci um cara muito especial, e estamos vivendo um relacionamento completamente novo, e diferente, marcado pelo carinho e pela distância geográfica, pude finalmente experimentar uma relação de verdade, e descobri que algumas coisas eram justamente como eu imaginava, e outras, completamente o oposto.
Depois que passamos muito tempo sozinhos, é muito dificil se acostumar em compartilhar, e viver uma relação, deixar que um novo ser diferente faça parte do nosso mundo, e ter força de vontade suficiente para se aventurar no mundo dele é um verdadeiro trabalho de Hércules.
Mas acho que é isso que acrescenta um tempero especial na nossa existência, e acaba por nos tornar mais experientes, maduros, e nos ajuda a nos conhecer bem mais. É tudo um grande aprendizado.
Tanto o amor, quanto o desamor são sempre constantes em nossas vidas, ja dizia o poeta: "Amar, é deixar que alguem te ame..." não há meio de escapar disso.
Enfim, acho que chegamos na metade do ano, e agora com o resto de tempo que nos sobrou temos que correr atrás dos meses que desperdiçamos, afinal, aposto que vocês nem se lembram das suas resoluções de ano ano novo, e o que prometeram fazer pelos outros, mas acima de tudo:


- O que prometeram fazer por si mesmos?



Bem queridos, 
eu os deixo agora com 
suas próprias resoluções...



p.s. porque este texto se chama Chocolate Amargo?
porque estou de dieta, e o chocolate amargo é o único doce
completamente liberado do meu regime, e tem me ajudado muito 
neste frio com baixas calorias. experimentem.