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2 de março de 2012

Roberto C. Rodríguez, tem um pássaro no seu cabelo...

Sleeping Prince - Dianne L. Gardner



Jaú, 29 de Fevereiro de 2012

“Relacionamentos íntimos não podem substituir o seu plano de vida, mas para ter significado e validade, um plano de vida deve incluir relacionamentos íntimos.” 


Sabem quem disse isso? Não, não foi Jesus, foi Harriet Lerner, psicóloga, socióloga, palestrante e autora do Best-Seller “Franny B. Kranny, tem um pássaro no seu cabelo”. Não sei se devo culpar (ou agradecer?) os movimentos elípticos lunares, as constantes e ininterruptas mudanças drásticas da minha vida, a uma força maior e racional que controla o universo, mas, a verdade é que ultimamente eu não tenho pensado em relacionamentos amorosos. De verdade, não tenho pensado mesmo, em nada. Em beijos, em sexo, em amor, em casamento, em nada disso, e já faz um bom tempo desde que este tipo de pensamento, antes constante na minha realidade, me deixou completamente.  
Estou solteiro há três anos, e tenho encontrado grande dificuldade em me aproximar ou mesmo me relacionar com as pessoas, até mesmo com amigos e familiares, não sei se estou passando por um período de alomorfia ou algo assim, só sei que este tipo de ambição amorosa me deixou e buscando nos meus recôncavos mais convexos, encontrei o último “texto” em que me vi pensando neste tipo de coisa, faz um certo tempo desde que postei um texto mais pessoal aqui no blog, ultimamente tenho postado mais crônicas, contos e poemas aleatórios, mas sinto que será no mínimo divertido dividir com vocês agora, sem frescuras, em caráter pessoal, o meu último devaneio sobre um futuro pretendente. Quando fazia faculdade de História da Arte em São Paulo, não tinha acesso a internet o tempo inteiro como hoje, então era um costume usar um gravador portátil para registrar longas conversas comigo mesmo e possíveis postagens futuras do blog nele, então vou transcrever (palavra por palavra) o último registro que consegui obter de mim mesmo, quando eu ainda sonhava em dobrar, em ter um namorado  e como eu esperava (gostaria) que este fosse. 

p.s. os pontos de interrogação, demonstram a minha indignação ou minha falta de compreensão com o que eu disse naquela época, afinal nem eu consigo me entender.


Apreciem.


17/05/2010

“(...)Acho que ultimamente me tornei um homem bem mais razoável, quer dizer, busco apenas um cara que seja gay (?), preferencialmente os que estão do lado de fora do armário, lógico, e que não tenham carro (?) , porque não há nesse mundo coisa mais romântica do que dar as mãos as escondidas em um ônibus, beijar sorrateiramente no metrô, fugir dos skin-heads na Augusta como se não houvesse amanhã(?), porque provavelmente não haverá amanhã mesmo para você se eles te pegarem, e finalmente ficar na sala de espera da UTI esperando seu namorado (que não corre tanto quanto os skin-heads) sair do coma depois da surra que levou (?). 
Sabe, ter um companheiro pra discutir questões relevantes como, “quem veio primeiro, o ovo ou a Madonna?” (?), ou qual é o KY mais legal, aquele que esfria (e da a sensação de que você esta fornicando com o cabo do remo de um caçador de baleias esquimó no Alaska)(?), ou aquele que esquenta (e da a sensação radical de que colocaram dentro de você o cabo quente da metralhadora de um guerrilheiro xiita depois dele ter assassinado vinte infiéis)(?), não que eu já tenha experimentado ambos, lógico. 
Encontrar um rapaz que não se importe também, caso eu não tenha o corpo do David de Michelangelo com o pênis do deus pagão Príapo, afinal, desde Adão e Eva, nós, gordinhos tensos, temos sido perseguidos! (?) Essa é a mais pura verdade, aposto que quando Eva ia devorar uma “bistecona” bem gordurosa e suculenta, e se acabar no churrasco feito de gado alimentado com produtos orgânicos e naturais que Adão estava preparando, surgiu a maldita serpente vigilante do peso revendedora da Herbalife(?), e a aconselhou a comer uma coisa mais leve para não engordar, como uma frutinha por exemplo, rica em fibra e o caralho a quatro, bem, o resto da história vocês já conhecem. 
Ainda assim, acho que Eva foi mais feliz que qualquer ser humano que vive no século XXI, afinal Adão não tinha uma ex (Descobri que segundo a cultura hebraica ele tinha sim, e ela não só ouviu o conselho da serpente, como também decidiu abandoná-lo pra ficar com a serpente, mas essa é uma outra história), as expressões “acima do peso ideal”, “padrão de beleza atual”, “celulite”, “estria”, ainda não tinham sido inventadas, e se Eva por acaso se sentisse insegura quanto a fidelidade do seu parceiro, bastava ela contar suas costelas para verificar se tinha alguma vagabunda nova na área(?).
Acho que vou morrer sozinho.”


Eu hein!? Sem comentários...
Beijos sinceros.  




26 de setembro de 2011

Coala na sala.




Não houve nenhum medo no grito. Ele tinha apenas um som de choque, uma nota de embriaguez, uma sugestão de pura idiotia da minha parte. Foi um som estranho até para mim mesmo que no momento não gozava de todos os sentidos. Havia terminado uma discussão seis horas antes daquilo acontecer, e com ela havia terminado um relacionamento de um ano agonizante, dividindo um quarto com uma janela irritantemente emperrada e uma cama sufocantemente pequena para nós dois, foi inevitável. Fim era a palavra que tanto buscávamos, e enfim encontramos.
Ricardo levou embora suas poucas coisas do apartamento horas antes, e decidi que não ficaria lá olhando-o retirar-se aos poucos de minha vida, se num futuro próximo ou distante, que seja, eu me arrependesse daquilo sozinho, iria me culpar por não tê-lo agarrado na porta e implorado que ficasse, então me poupei deste futuro arrependimento e quis gozar ao máximo o momento em que de fato, não queria que ele ficasse, saí pra beber.
E bebi o que não havia bebido em anos, me descobrindo desacostumado ao álcool.
Horas depois estava sendo carregado por amigos até a porta do edifício, com dificuldade e um andar trôpego cheguei ao elevador e me encostei, ele fez seu trabalho e me deixou no quinto andar, quase em frente a porta que estava trancada, me colocando numa luta feroz entre minha embriaguez e a minúscula fechadura, tendo como pivô a chave se escondendo em um dos doze bolsos da minha mochila, entrei, e então, o inevitável grito.
Ele estava sentado no sofá, segurando algo que eu ainda não havia identificado, escutou meu grito mas não se assustou, continuou segurando o que agora eu sabia ser uma lata de Pringles, avistei batatas espalhadas pelo chão e farelos sobre todo o sofá vermelho que Ricardo havia escolhido meses antes, e que eu ainda pagaria por meses adiante. Ele não era Ricardo, era um bicho.
Me aproximei devagar buscando resgatar a sobriedade lá do fundo da minha alma, não temia um ataque vindo daquilo pois me parecia estranhamente fofo e desajeitado para atacar qualquer coisa, estava calmo e manso, e sequer me acompanhava com o olhar, olhava para a lata de Pringles em sua mão (pata?), me aproximei, estava muito ébrio para permanecer em pé, então sentei em frente a ele no outro sofá também vermelho.
Junto com a pouca sobriedade recém adquirida me veio a notícia de que sabia o que era aquele bicho, não lembro onde havia absorvido tal informação, que se não fossem os acontecimentos daquela estranha madrugada, julgaria ser completamente inútil. Ele era peludo, gordo e meio pequeno, era um coala, e estava sentado no meu sofá.
Sabia que não se tratava de um bicho nacional, além de sua cara estranha não estar estampada em nenhuma cédula, eu sabia que era australiano, e então me perguntava o que estaria fazendo aquele bicho australiano no meu sofá. Ele sem dúvida não parecia muito preocupado com sua estadia no meu apartamento, estava quase confortável, se posso assim dizer, sentado como se fosse gente e comendo pringles lá. Olhou para o aparelho de som desligado, e ficou parado , então olhou para mim, eu olhei pra ele, um olhar assustado, nós humanos temos o costume de temer as coisas adoráveis, e aquilo era uma das coisas mais adoráveis que já havia visto.
Esfreguei com as costas das mãos os meus olhos e mentalmente tentei recontar as bebidas que havia tomado, nada que em outros tempos não houvesse ingerido antes, será que havia sido drogado? Já havia experimentado algumas drogas também, que me deixavam elétrico, faminto ou até mais lento, mas jamais havia tido alucinações antes, ainda mais uma tão real quanto aquele bichinho comendo meu pringles  e sentado no meu sofá. Percebendo minha total falta de tato para lidar com aquela situação, ele enfiou seu braço dentro da lata de pringles e vasculhou o tubo, até que seu cotovelo desapareceu la dentro, ou algo parecido com um cotovelo, não sei se os bracinhos destas criaturas possuem as mesmas articulações que as nossas, ele retirou uma rodela de batata intacta, e a apontou em minha direção, se fosse humano poderia dizer que estava me oferecendo a tal batata, mas não era humano, e mesmo assim, estava de fato me oferecendo aquela batata que eu mesmo havia comprado semanas antes, para uma possível fome, ou uma ocasião de ociosidade onde coisas como panelas, fogões e louça acumulada sobre a pia fossem o último caminho que me levaria até a minha comida. Bastava abrir a lata com seu barulho de champanhe e "flop" o jantar estava servido. Eu havia comprado aquela batata, e devido a embriaguez me senti momentaneamente ofendido com o bicho me oferecendo o que era meu por direito. Então num gesto brusco, quase animalesco, tomei a batata da mão dele e enfiei-a inteira na boca de uma vez. Mastiguei fazendo barulho, um som que me irritava mas sentia que demarcaria meu território, mas o bichinho, tímido que era, nem deu atenção, voltou a comer a sua própria batata em silêncio olhando o nada a sua volta.




Decidi que minha vida não podia ficar mais estranha daquele momento em diante, em que um coala australiano apareceu comendo pringles sentado no meu sofá. Então fiquei estranhamente mais relaxado, e percebi que o bicho fitava curioso o aparelho de som, colocado em seu espaço destinado no raque da sala, dei um sorriso involuntário e decidi ligá-lo só pra ver a reação do ser fofo. Me senti um cientista no meio de um experimento, abaixei cautelosamente o som para não assustá-lo mais que o necessário, afinal não sabia nada sobre essas criaturas, nem sabia que dava isso no Brasil, vai que ele ficasse violento ou tivesse uma doença contagiosa, me preveni ficando a uma distância segura e liguei o som. O bichinho parou de comer e ficou atento olhando as lusinhas do aparelho descerem e subirem conforme os graves da música, fui mudando os cds que ali estavam colocados, inutilmente cabiam doze na disqueteira, uma gulodice comum na época que precedeu o pendrive e a tecnologia USB, cheguei no cd de Elis Regina, ela cantava alegre uma de suas músicas que na hora não pude identificar, e o bichinho ao que me parece, ficou mais relaxado, e voltou a comer sua batata. O coala na minha sala tinha um gosto musical mais refinado que o próprio Ricardo, e isso me fez rir novamente.
Enquanto ele estava entretido com a batata e a música, decidi pesquisar sobre a criatura, liguei o notebook que estava em stand by na mesa da sala, digitei "coala" no google, e imediatamente a wikipédia me avisou que "ao perder a sua casa e alimento, o coala se muda e pode chegar a povoamentos ou cidades, onde via de regra morre por atropelamento ou é caçado por cães, a caça ao coala é um costume na Austrália e sua carne é muito apreciada pelos povos aborígenes.".Fiquei estranhamente triste ao ler o destino daquele bichinho que não fazia nada a não ser ocupar seu tempo sendo fofo, apesar de que toda a sua fofura de fato dava a impressão que sua carne devia ser saborosa, ainda mais a deste em particular que já estava recheado de pringles, que mundo cruel, pensei.




O que eu deveria fazer? Estava lutando para manter o mínimo de racionalidade que a situação e a bebida me permitiam, mas quando um coala aparece na nossa sala (e acho que essa sensação bem específica de ter um coala na sua sala, é uma das poucas coisas que posso afirmar que só eu senti), fica mais difícil manter-se racional. Tinha medo de chamar a polícia ou os bombeiros, afinal se o C.S.I. achasse o pringles no coala, eu poderia ser indiciado por contrabando de animais exóticos, silvestres, gordos ou qualquer coisa do tipo. Já que sóbrio não ficaria mesmo, fui até a geladeira contornando o sofá do coala, ou melhor, o meu sofá, onde de lugar nenhum surgiu um coala e se sentou naquela noite. Abri a porta superior do freezer e enfiei minha cabeça la dentro numa tentativa literal de refrescar as idéias e pensar mais claramente. Então preenchi o copo com vodka, uma, duas, três, quatro vezes. Num momento absurdo de epifânia na cozinha, quase chorei ao pensar que o coala poderia estar com sede, todos me dizem que fico mais sensível e até sociável quando bebo, mas jamais havia me importado com a hidratação corporal de criatura alguma, nem mesmo Ricardo, e o pobre coala ainda havia devorado quase sozinho uma lata de Pringles apimentada, o bichinho poderia estar morrendo naquele momento e eu lá me embriagando, isto é o que eu poderia chamar de "fugir da realidade", a minha realidade no momento, é que tinha um coala na minha sala sedento, e eu ali bebendo, pensando no preço exorbitante que haviam me cobrado por aquela garrafa de vodka. Abri o armário e procurei algo para servir a água fresca ao coala, uma tigela? Um copo? Como daria água aquilo? Peguei um recipiente plástico e o enchi de água. Voltei a sala.
O Coala estava parado sentado em seu lugar no sofá e ouvindo Elis, me aproximei cautelosamente dele, e empurrei a tigela de água em sua direção, ele se apoiou desajeitadamente nas patas da frente e começou a cheirar, instintivamente colocou a boca na água e sorveu o liquido, mas de uma maneira diferente de um cachorro ou gato, não sei dizer como, mas foi bem diferente e mais engraçado de se ver.
Notei que em cima do aparelho de som, jazia um pendrive que não era meu, e certamente não era do coala, era do Ricardo com certeza, aí então a ficha caiu, ele havia estado no meu apartamento antes do coala... Ele era o responsável por aquilo tudo, com certeza instalou alguma câmera em algum lugar do ambiente e me mandaria via msn o link do vídeo já postado no youtube intitulado: O Bêbado e o coala.
Não permitiria isso, nem comigo, nem com o pobre animal inocente, peguei o celular do bolso e disquei seu numero quase de modo mecânico, ele atendeu, sua voz demonstrava claramente que tinha acabado de acordar:
- Alô?
- Ricardo, o que é este animal no meu sofá?
- Hã?
- Ricardo, eu te fiz uma pergunta, é bom ter uma resposta... O que este animal está fazendo comendo pringles no meu sofá?
- Já cansei dessa merda Felipe, se você ficou bêbado, desceu a Augusta, pegou um gay qualquer e levou pro apartamento, eu não sou obrigado a saber, quando você vai começar a agir como um adulto?
- Não seja cínico Ricardo, você levou suas coisas do meu apartamento hoje, mas obviamente esqueceu uma coisa extremamente importante aqui, só não sei se foi propositalmente.
- O quê? O meu pen-drive?
- Não Ricardo, um COALA!
- Olha aqui Felipe, cansei desse seu sarcasmo imbecil, desse teu mau-humor crônico, é apenas a porra de um pen-drive, amanhã eu mando alguém pegar, fica tranqüilo.
- O Pen-drive ou o coala?
- O que?
- Ricardo, este animal já até bebeu água naquela que um dia foi nossa casa, você não entende isso? Ele está olhando pra mim enquanto falo com você agora, me explica isso.
- Felipe, você é fraco pra bebida, não percebe o papel de palhaço que está fazendo? Ligando a essas horas pro seu ex, enquanto o menino que você levou pro nosso ex lar fica aí te olhando, e comendo pringles, e bebendo água, e sei lá mais o que ele esta fazendo, não me interessa! Eu já estou saindo com outra pessoa também!
- Você está saindo com o veterinário do Zoológico Municipal?
- O que você está insinuando? Que eu também sou um animal? Esta na moda chamar os outros de animal como está fazendo?
- Mas realmente apareceu um animal no nosso apartamento Ricardo, não estou brincando, aquele animal famoso da floresta austra...
- O da nota de vinte? Pois Chame o IBAMA, dê banana a ele...
- Vou dar uma banana você vai ver aon...
- Ah, cansei...
Desligou na minha cara.
Coloquei o aparelho na base, e me sentei novamente no sofá em frente ao coala. Ele me olhava com reprovação, mas não era um mérito dele, todos me olhavam com reprovação desde sempre, acendi um cigarro e traguei profundamente. Ele novamente observava o nada ao seu redor, meu deus, eu estava ficando louco. Apaguei o cigarro e me deitei no sofá, abaixei o som do aparelho e o coala pareceu não se importar, ele se virou de costas para mim e apoiou a cabeça no encosto do sofá, começou a respirar mais lento, e adormeceu fazendo um barulho estranho.  
O esgotamento físico e mental de um dia de trabalho, separação, bebedeira e animais exóticos se abateu de uma vez sobre mim, e não lembro como, mas adormeci irresponsavelmente, largado mesmo.
Acordei com o sol invadindo a sala, junto com a dor de cabeça invadindo meu crânio, e minha colega de trabalho invadindo o meu apartamento e recolhendo os pedaços de pringles do chão e do sofá, eu ainda tinha sinais de álcool no meu sangue e não conseguia compreender a realidade direito:
- Janaína?
- É, sou eu Felipe, você tá bem? Vim te dar carona pro trabalho, eu cheguei aqui encontrei o Ricardo descendo, ele me deu a chave dele e disse que você estava de ressaca da noitada de ontem, daí eu entrei.
- Ué cadê ele? - disse eu me levantando e desajeitadamente revistando cada cômodo da casa.
- É Felipe, ele foi embora, eu sei que deve ser estranho, mas você vai ficar bem meu amigo.
- Mas eu não entendo Janaína, como ele apareceu aqui? Eu dividi minha pringles com ele, eu dei água pra ele beber numa tigela!
- Numa tigela? Não me admira que você esta solteiro, apesar que dividir a pringles é uma idéia bem romântica, acho válido...
- Hã? Mas você chegou a ver ele indo embora? Por onde ele foi? Pela árvore encostada na janela? Aquele animal ingrato!
- Nossa Felipe, coitado, ele foi de elevador mesmo, foi onde encontrei ele, ele...
- Mas como!? Como ele conseguiu...
- Não tem segredo né Felipe, você aperta um botão, a porta abre, aperta outro a porta fecha, agora vai se arrumar, que a Santos ja está um inferno, a gente vai se atrasar horrores.
- Não entendo mesmo Janaína, o Ricardo levou ele embora?
- Ele quem? O Pen-drive?
- Não, o COALA!
- Haha, Felipe seu sarcástico, vai se arrumar, vai...
Naquela manhã tomei um banho demorado, e passei dois dias ainda meio distraído, pensativo, pior do que ver um fantasma, uma assombração, é ver um coala comendo pringles. Como Jung viria isso? O coala seria o arquétipo do quê? Pensei em procurar ajuda profissional, mas sabia que não estava louco, duas vezes eu fiz tudo de novo, bebi as mesmas bebidas no mesmo bar, voltei do mesmo jeito, e abri a porta, esperando que a repetição daquele ritual trouxesse o coala de volta, queria revê-lo por duas razões: a primeira é que preciso provar a mim mesmo que não estou ainda tão louco, e a segunda é porque me apeguei ao bichinho, tínhamos gostos parecidos, Pringles, Elis,etc... Eu sei o que vai acontecer, um dia eu vou contar essa história como "O dia em que bebi tanto que vi um coala na minha sala!", mas por enquanto está tudo bem... Acho que preciso de um lexotan.






p.s. inspirado em meu amigo Felipe. 




26 de março de 2010

O Mal-amado...



"Mal amado é? Humpf!"


Francamente espelho meu, porque me sinto assim tão desconfortável?
Acho isso tão estranho, mas confesso que o que me incomoda mais, não é o meu desconforto em si, mas o conforto dos outros.
Mal-amado é? Meu cú!
Vejo tantos homens, com tantas formas diferentes desfilando por aí dentro de seus corpos, ajustados, confortáveis, com movimentos leves, seus pés sequer tocam o chão.
Se olham no espelho, e gostam daquilo que vêem lá dentro, ou pelo menos não se importam tanto.
Se ao menos este meu desconforto fosse algo mais coletivo, eu me sentiria um tanto melhor.
Não entendo ainda o que se passa comigo, porque me sinto assim tão desconfortável, sempre insatisfeito, sempre desviando o olhar do espelho, ou olhando fixamente para ver se algo mudou, uma mudança milimétrica ja estaria de bom tamanho.

" Ai doutor, to muito gordo, to parecendo um rinoceronte amestrado!"


Mas não, não acontece porra nenhuma, é sempre o mesmo tonto me olhando de volta.
Estou por aí sempre querendo me diminuir, sempre me aquietando, quando de fato deveria estar verbalizando, passando vontade e depois me arrependendo, quando o mais fácil teria sido ao menos tentar, passando fome quando a minha vontade era de me esbaldar, comer e comer por mim, pela Etiópia e pelam torcida do Corinthians, ficando sóbreo quando queria me embriagar.
Pro inferno todos eles, se é que de fato existe um "eles".
Quem é que vive por detrás destas pupilas, e faz todos estes (pré)julgamentos? Quem é que deseja? Quem é que proibe? Quem lhe diz o que é bonito? E o que é feio? Quem sofre no final? E por quem?
Roberto, meu caro, lhe darei dois conselhos para você levar por toda a sua vida:

1° Escute apenas a si mesmo.
2° Jamais escute a si mesmo.

Entenderam?
Nem eu.

"Mas nem pagando, os bofes tão me querendo!"


Andei aqui pensando mais um pouco sobre este lance de ser o mal-amado, a persona non grata, o vilão da novela do Manuel Carlos que quer destruir a pobre (Leblon? Pobre? Ahãm Claudia, senta alí...) e voluntariosa Helena.
e ja que a carapuça me serviu muito bem, e estou contente com este meu papel de mal-amado, aí vai mais uma revolta, ou várias revoltas tudo junto e misturado:
Os casais.
É claro que existem dias em que acordamos querendo ser uma mistura de Madonna, e Bradd Pitt, e nos frustramos quando vemos que estamos mais pra Geisy Arruda misturada com Netinho, mas não tem problema, é normal acordar 20%, achando tudo uma grande palhaçada, sem paciência, sem porra nenhuma.
Por exemplo, eu nunca fui convidado pra uma festa que tivesse pilhas, e mais pilhas de Ferrero Rocher, o que me causa uma grande revolta. Eu também nunca ganhei um Ovo de páscoa de um pseudo-namorado, ficante ou tico-tico-no-fubá que tive, nem um ovo desses chocolates de guardachuvinha, o hidrogenado.


" Doutor, me veja uma fórmula,
um moderador de apetite de elefante, um veneno, qualquer coisa!"


Fora que utimamente tem acontecido um Poltergeist na minha vida, verdade. Um Alienígena filho-da-puta que não tem nada de fofo como no filme E.T., entrou na minha casa durante a madrugada e desregulou a minha balança, só pra rir com a porra dos amigos et's dele, lá no bairro dele em Marte, ou na puta que pariu, olhando pra minha cara de babaca ao constatar que do dia pra noite contrariando todas as leis de Newton e o caralho a quatro, eu engordei 5kgs, numa espécie sádica de Big Paspalho intergalático.
(Bem, pelo menos essa é a minha teoria pro mistério da balança desregulada que ronda a minha vida.)
E ainda tem gente que pergunta:
- Desde quando você faz regime?
- Desde que sou gordo caralho!

Agora me fala se depois de tudo isso, de tanta insatisfação, eu sou obrigado a encarar duas horas dentro de uma lotação literalmente lotada, pra chegar até a minha faculdade pensando no porre de aula lazarenta que vai ser aquela cheia de pseudo-filósofos querendo aparecer um mais que o outro, citando frases famosas de ilustres desconhecidos, e dizendo que Van-Gogh era conhecido SIM em sua época, mesmo que em vida o desgraçado não tenha vendido sequer um quadro!!!
Enfim, minha mente dentro da lotação ja vai matutando tudo isso quando olho pro lado e tem dois panacas se catando, e não é aquela catação periguete não, os filhos da puta tem a cara de pau ainda de ser romanticos.

PUTA MERDA! ASSIM VOCÊS ME FODEM!!!

"Ai, vou tomar um Baygon, o Baygon sempre ajuda nessas horas dificeis!"


Olhinhos brilhantes, juras de amor, mãos bobas, aquela carinha de tapada, aquela carinha de futuro pai de familia, aquelas vozes afetadas como se estivessem conversando com uma criança da Apaee, aqueles apelidos tontos, esses dois imbecis formam uma raça que desprezo:
Os casais.
E é nesses momentos, que eu renuncio ao meu paganismo, e clamo a Jeovah, a @Ocriador, e até a @Nossa_senhorita num momento de profunda fé e devoção cristã, que eles enviem mais um dilúvio para que então uma Arca 2.0 leve todos os casais embora da minha vista, e deixassem mais uma vez só os solteiros se acabando na chuva aqui do lado de fora.
(Sou paulistano, estou acostumado com chuva!)

"- Esse Baygon tá mais parecendo água-de-xuca!"


Droga, acabei de voltar da padaria onde comprei uma vodka, e todo mundo ficou me olhando torto, só porque nem são dez da manhã ainda. CARALHO, quer dizer que não posso beber?
Ainda o guardinha da guarita do meu prédio disse:
- Mas ja foi bebê?
Numa demonstração crônica de uma intimidade que nunca havia lhe dado.
Dei um sorrisinho amarelo pra ele, mas minha vontade mesmo era ter sido malcriado e respondido:
- Ja fui bebê, ja fui criança, e agora sou adulto!
Meu cú! Preciso de duas coisas, um cigarro e uma boa desculpa pra parar de escrever bobagens e ir cuidar da minha vida...
O cigarro ja está aqui, e como boa desculpa por enquanto eu não tenho, ja que minha vida não anda muito lá essas coisas, vou inventar uma, e vocês façam de conta que acreditaram e somos todos felizes para sempre:





Galera, uma olvelhinha acabou de cair
dentro de um lago aqui perto,
e está encolhendo,
vou lá salvar ela!!!





Beijos sinceros de um homem mal-amado.

hehe


21 de outubro de 2009

O moço que demora pra dormir...


Pensamento 1# - Cicatrizes


Certa vez quando era pequeno, brinquei de siga o mestre com uma amiguinha chamada Natália.
ela sempre foi uma grande amiga, e coloriu muito minha infancia, mesmo quando tudo ao meu redor era cinza, e veja que coisa, Natália sabia pular muros e eu não.
Então no siga o mestre eu me esborrachei no chão, e de quebra, enfinquei um prego enferrujado na minha perna, que perfurou até meu osso.
Na época doeu muito, a dor de ter me esborrachado, me perfurado, me estatelado, e de ir subir pro apartamento fazer o curativo na ferida, arrancar o prego, passado merthiolate, ter que colocar band-aid, ver a casquinha se formar, depois cutucar a casquinha... 
Mas hoje, essa aventura ficou apenas na memória, afinal, eu e Natália crescemos, e a ferida cicatrizou, hoje não passa de uma pelesinha de cor diferente, que fica esticada naturalmente embaixo de alguns pelos na minha perna, e se vc passar a mão vai sentir a ondulação no osso, onde o prego entrou, mas eu não sentirei nada, nem dói mais.
É apenas uma extensão do meu corpo como outra qualquer.
E assim como a minha perna, senti que o mesmo aconteceu com o meu coração.
Pode passar a mão a vontade, a pele ao redor dele está um pouco esticada ainda, mas dor mesmo, eu não sinto mais nada.  :D


Pensamentos 2# - O conto de Fadas


Era uma vez o meu primeiro amor, que acabou morrendo afogado.
Eu tinha uma sede, uma ansia quase psicopática em ser perfeito, em beirar o inimaginavel no que diz respeito a tudo, acabei me tornando sem graça, é que encontrar um homem perfeito, e dormir com ele é fácil, todos querem isso, mas e acordar com um homem perfeito? 
Hein? E viver feliz para sempre com um homem perfeito? Quem quer se sentir inferior? Quem quer se sentir errado? Quem quer se sentir imperfeito?Ninguem.
Então imagine como se relacionar com alguem que se esforça ao máximo pra ser perfeito foi dificil para o meu ex.
Eu me mostrava mais inteligente que ele, mais bonito que ele, mais bom de cama do que ele, mais criativo do que ele, com amigos melhores que o dele, com pais que me amavam muito mais do que os pais complicados dele amavam ele, com uma familia mais fofa do que a familia estranha dele, com um futuro bem mais promissor do que o dele, que trabalhava a dezesseis anos na mesma fábrica que pertencia ao seu pai, e provavelmente iria continuar trabalhando por toda a vida. E que ainda por cima, amava ele muito mais do que ele se amava. 
CARALHO, ele não aguentou tanta pressão...
Eu havia pedido um cavaleiro andante sob uma maldição terrivel que só eu pudesse tirar, e o destino me deu o tal cavaleiro, só que esqueci de dizer que eu não era um príncipe coisa nenhuma, era um bruxo disfarçado e acabei amaldiçoando mais ainda o coitado.
Tanto que depois de mim, ele nunca mais quis namorar. E eu até entendo o porque. Namorar um homem perfeito é traumatizante, nos faz ver o que realmente somos, e o quão longe da perfeição estamos, o quanto ainda temos que melhorar. 
E o pior, foi que quando ele terminou comigo, eu não entendi nada, afinal eu era PERFEITO, foram necessários vários meses, e muitas bebidas, e porres, e experiencias paranormais, e poltergeists pra mim entender o que havia dado errado na nossa relação.
Eu mantive o verdadeiro Roberto, trancado dentro de um baú, e mostrei pra ele apenas a versão 2.0 do Roberto, perfeito, sem erros, sem nada. 
Um homem completo, independente e apaixonado.
Não deixei ele poder implicar com um defeito meu, não deixei ele notar algo em mim que ele detestasse, e nem olhei pro cara no canto do bar pra ele ficar com ciumes, anunciava todos os dias ele como campeão de audiencia, e como posso culpá-lo hoje por ter ficado louco e fugido de mim. 
Eu mesmo fugiria de mim, se me encontrasse na rua. Credo, que medo de mim.
Complicado essa história de ser perfeito, hoje em dia, eu gosto muito mais do simples e do normal, isso me atrai mais do que qualquer outra coisa, se usar óculos, for alto e tiver uma voz gostosa melhor ainda ;D
e é assim que meu conto terminou, sem o "felizes para sempre".
Mas com um Roberto menos perfeito, e muito mais interessante, a espera do próximo, será o principe encantado, o campones, ou o caçador?





Pois é, 2:08 p.m. e eu aqui, sentado em frente ao computador, 
com um copo d'água bem gelado, uma barra de chocolate amargo, 
óculos, cuecas, e plástico (as tatuagens estão cicatrizando)
acho que é hora de criar coragem e dormir, 
deixei registrado aqui dois pensamentos
que tive hoje antes de me deitar, 
não que sejam importantes.
mas são.


beijos sinceros.



13 de outubro de 2009

A Cama Cobertina



"Uma cama solteira, 
que vive desarrumada, 
toda desfeita, 
sem coberta e escancarada.
A cama é muito solteira e gorducha, 
não é boa de mola, 
e suas pernas eram do tipo rebola-bola.
...
Certa vez, em um passeio, 
encontrou com um leito principesco, 
todo arrumado, limpo, 
com lençol de cetim bordado, 
e até um dossel,
que de tão azul,
foi comparado ao céu.
Após a união, até fotografada 
para coluna social foi.
E os dois se transformaram
em uma cama de casal.
...
Mas Cobertina é uma cama bem doidona
e bem gozada.
Não aguentou viver grudada, 
estuada, tão casal.
Deu um ronco forte, forte.
No marido deu rasteira, e disse:
- Foi tudo um lindo sonho,
eu nasci pra ser solteira!"


A Cama Cobertina, Sylvia Orthof

6 de junho de 2009

O nosso lado Bridget Jones: Os Balzaquianos Modernos






O mundo dos solitários está crescendo tanto quanto o mercado de livros para pessoas solitárias. 
Esses livros, em sua maioria, ( e eu falo com certa propriedade no assunto, afinal possuo uns 23.658.987 exemplares!) são centrados em heroínas perturbadas à procura de um par.
Uma de minhas escritoras favoritas, de livros sobre relacionamentos (Kristina Grish) indica em seu livro "Mulheres certas, que amam homens errados" (ótima leitura, recomendo!) o filme *O Diário de Bridget Jones*, e por acaso este filme estava passando na TV esses dias, e resolvi seguir o conselho da Kristina (pra variar!) e sentar minha bunda gorduxa no sofá, por duas horas, com um copo de água com gás e uma barrinha de chocolate com castanhas, (as malditas me deram espinhas!), e posso descrever esse filme com apenas uma palavra: apaixonante
Em seu livro, Krsitina dizia que esse filme é *Uma doce homenagem disfarçada para os homens bons de verdade!* CON-COR-DO!!!! em gênero, número e grau!
fiquei simplesmente fascinado com a história meiga, fofa e cheia de encanações com peso, comida, trabalho, homens, sexo, família, independência, roupas íntimas e amigos. Realmente um retrato fiel da nossa vida de solteiros modernos.
De tão fascinado, decidi fazer uma lição de casa voluntária a respeito da nossa heroína Bridget, e descobri que esse livro é famozíssimo e muito popular, sendo conhecido como *o manual dos solteiros* ( e principalmente das Solteiras!).



'O Diário de Bridget Jones' da escritora talentosissima Helen Fielding vendeu de cara 107 MIL exemplares aqui no Brasil, sendo que, o esperado, era no máximo dois mil. Desde que foi lançado em 1998, o livro já mostrava ser uma criação no mínimo brilhante: Afinal, todo mundo que está sozinho, à procura de um amor real, se sente super vingado por aquela gordinha meio neurótica e engraçada que acaba se dando muito bem. Fora que essa história de amor incrível, foi a primeira de sua espécie, e deu origem a um tipo particular de literatura original, bem humorada e deliciosa, que eu particularmente amo: a literatura cor-de-rosa.
(os famosos livros de mulhersinha, que quem me conhece, sabe que amo a lot²!) 
Eles dominaram as livrarias, e garanto que basta ler um, para querer ler todos (seja romances, contos, poemas, manuais de sobrevivência bem-humorados, ou derivados).
O fenômeno da literatura cor-de-rosa é global, criou até uma nova denominação para essa nova geração de solteiros e solteiras bem sucedidos e independentes, porém extremamente românticos e carentes: Os Balzaquianos Modernos!
É maravilhoso ler/ver essas personagens todas descendo atrapalhadas de seu salto scarpim, para correr atrás de seu homem.



Mas já que estamos falando de mulheres, que são as protagonistas de todas essas historinhas viciantes, sabiam meninas, que no Brasil, 4 em cada 10 mulheres está solteira?
Conheço cerca de 100 Bridget Jones por aí, e com o mesmo desembaraço que elas aceleram o carro para curtirem uma noite de bebidas e amigos, elas também choram pela excessiva solidão! Acho que a mãe de todas as queixas seria a famosa "falta de homens decentes no mercado!" ou aquela outra "minhas relações simplesmente nunca dão certo!". Bem eu acho que passar mais tempo sozinho do que gostaríamos, deixa a gente meio perturbado mesmo.
E até mesmo as meninas ainda super jovens, na casa dos vinte-e-poucos anos, já se enxergam romanticamente sem futuro amoroso, como se estivessem estigmatizadas a serem encalhadas para sempre. Muitas delas estão dispostas a qualquer negócio por um namorado, e toda essa disposição acaba assustando e broxando um possível pretendente.
E nessa maluquice toda, os homens héteros acabam perdidos como pobres coitados, eles ainda vivem em outra fase, ( e segundo o Dr.John Gray, em outro mundo, segundo ele "homens são de marte, e mulheres são de venus" hehehe ) eles estão começando a viver agora a famosa revolução sexual masculina, que começou com um atraso enormde de 20 anos, em relação a revolução feminina. 
Na minha modésta opinião de psicólogo de fundo de quintal, eles ainda não ficaram maduros o suficiente, ou no ponto certo, para atender às altas espectativas das mulheres balzaquianas modernas. 
E eis o calcanhar de Aquiles de qualquer balzaquiano moderno que se preze: As altíssimas exigências.
Os homens gritam reclamando nos bares que as mulheres são complicadas, que basta eles darem o número de telefone, que já são intimados ao casamento, e se a mulher for independente então fode tudo de vez, os meninos acabam ficando ainda mais frustrados. Eu li, recentemente, num blog perdido por aí, que uma pesquisa revelou que quanto mais uma mulher é bem sucedida, mais aumentam as chances dela ficar sozinha.
Na realidade, as mulheres pra variar, estão vivendo uma puta contradição: elas trabalham e ganham sua prórpia grana, mas ainda tem o desejo secreto de que um macho pague o jantar voluntariamente como prova de seu desejo/amor.
As solteiras modernas de hoje em dia, tem um pé no século XXI e outro nos anos 50, com meninos de jaqueta de couro indo buscá-las num carrão, levando elas ao drive-in, buquês de rosas vermelhas, cabelos com gel, e o melhor do pacote: pagando a conta como um macho de verdade!
Elas não abrem mão dos avanços sexuais, mas ainda sonham secretamente em se casar de branco como as mães delas, com direito àquele maridão engomadinho, com um sorriso colgate, passando margarina no pão como nos comerciais da Doriana.
O jeito é respirar fundo e controlar a ansiedade, afinal, segundo as pesquisas, o grande encontro amoroso ocorre por volta dos 30/45 anos, afinal nessa idade a mulher estará realizada proficionalmente e o homem terá tido tempo suficiente de amadurecer para alcançá-la.


Terminarei este post sendo mais romântico e sonhador, a la Bridget Jones, uma de minhas escritoras favoritas da literatura rosa, Martha Medeiros, fala uma frase perfeita em uma de suas crônicas "eu ainda me pergunto: será que as mulheres estão dando chance, para que este 'qualquer um' prove que não é 'um qualquer'?" e ela continua " essa coisa chamada 'História de amor ' requer um certo tempo para ser construída, e as que dão certo, são aquelas vividas com paciência, com o espírito aberto, e na maioria dos casos com qualquer um que consiga romper nossas defezas e nos fazer feliz!".
Perfeito.
Um outro conselho válido para as nossas Bridget's, seria: sejam coerentes, precisas e claras naquilo que desejam, seja sexo selvagem com um modelo de cuecas da zorba, seja um casamento ao estilo Doriana, a partir do momento que você tem uma noção básica do que quer, as coisas ficam mais fáceis, aquilo em que você focaliza a sua atenção, sempre se torna mais presente na sua vida.
Um texto escrito pela Bridget Jones que mora em mim, para aquela que mora em vocês.







p.s. afinal todos nós temos um pouquinho de Bridget Jones
 enrolado embaixo de algum edredom por aí.


28 de fevereiro de 2009

O matador de lesmas*




Ontem, eu estava no banho, e devido a úmidade relativa do ar, ao verão chuvoso que tem feito no centro-oeste paulista, ao fato de minha casa situar-se ao lado de um terreno baldio, entre outros fatores, basta chover que elas aparecem, lentas e pegajosas, nojentas e gorduchas me lembrando que até mesmo Deus tem seus dias de baixa-estima, afinal, no 1° dia entusiasmado, criou as borboletas, leves, maravilhosas, coloridas, mutáveis, boazinhas, e talvez lá pelo quarto dia, criou elas... as lesmas.
Eu já peguei barata pela antena, pisei em cima de aranha e escorpião, e até pisei no rabo de uma cobra, mas com elas eu nunca me meti. Não sei porque desde pequeno elas me causavam um nojo horrendo, seu corpo escuro, pegajoso, molhado, rechonchudo se arrastando por aí, me causava uma piedade, e um asco terrivel, sem falar que alguns amiguinhos tinham a terrível e torturante habilidade de jogar sal nas coitadas e assisti-las desidratar até sua inevitável morte, (minha mãe para me acalmar dizia que o sal fazia as lesmas "emagreceram" e depois dormirem).
Mas enfim, eu estava numa parte importante do meu banho, passando meu xampu da Jhonson's, quando notei que uma se arrastava bem no chão do box, o grito foi inevitável, seguido de onomatopéias que demonstravam nojo, pavor, asco, etc.

-Ecaaaaaa! Arghhhhh! Porque eu meu Deus? Cordeiro santo, tende misericórdia de nós! Yemanjá, me salve! Oh ! Senhor põe seus anjos aqui! Como posso lidar com isso? Manhêeeeeeeeeeeeee!!!!!

OBS: Meus pais me conhecem muito bem, 
e sabem que consigo topar de frente com qualquer criatura, 
menos com "elas". 


Pude ouvi-los conversando, e dando risada, então perguntaram pela porta do banheiro:

- O que foi Beto?
- Ainnnnnn tem uma lesma aqui no chão do box, ela é escura, e pegajosa e gorducha, e grande,  e estranha, e tá se mexendo, e tá escutando eu falar dela pra você, vem tirar, tira tira!!

Minha mãe assim como uma amazona, entrou, pegou um pedaço de papel higiênico, e retirou a lesma para então jogá-la no terreno baldio ao lado de casa. Voltei ao meu banho mais calmo, mas com os nervos estraçalhados por aquele sobressalto, foi quando pensei. Poxa! 
Minha vontade sempre foi morar sozinho, e quando eu estiver na minha casa,  e aparecer um monstro desses no meio do banho? Ou na cozinha? Ou Deus o livre e guarde no meu quarto?

O que farei? :S

E se eu começar a namorar, e for morar junto de um cara que também tenha medo? Não, eu posso lidar com qualquer defeito do meu namorado, e futuro cônjuge, mas ele tem que matar Lesmas, tão bem quanto minha mãe o faz! Isso é uma característica essencial do meu futuro parceiro, pelo menos pra isso ele tem que servir. Ele pode ser chato, pode ser mau-humorado, ciumento, pode ser desligado, consigo lidar muito bem com isso, mas ele TÊM  que matar lesmas.


pode ser do tipo ultra-romântico:

- Acalme-se meu doce amado,  já o livrarei desse monstro!

pode ser do tipo burrinho:

- Hã? lesma? aquele bichinho com um caracol? tá bom, tá bom, to indo matar!

pode ser do tipo másculo:

- Vai pra trás Roberto, que o negócio vai ser feio!

pode ser do tipo tímido:

-Pronto amor já tirei!

 e pode ser normal:

- haahssau que feio, um marmanjo de 1,80m com medo de um bichinho desses, 
 já vou tirar! ^^'



Enfim, ele pode ser de qualquer jeito, e exterminá-la da maneira que preferir. Depois de ter me salvado do dragão, ele poderá então me levar para onde quiser, eu o recompensarei com tudo que ele merecer por seu feito corajoso.


Meu matador de lesmas, onde você estará agora?