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19 de fevereiro de 2013

Os Príncipes do meu Reino: Olavo Bilac.

Olavo Bilac



Maldição

Se por vinte anos, nesta furna escura, 
Deixei dormir a minha maldição, 
- Hoje, velha e cansada da amargura, 
Minh'alma se abrirá como um vulcão. 

E, em torrentes de cólera e loucura, 
Sobre a tua cabeça ferverão 
Vinte anos de silêncio e de tortura, 
Vinte anos de agonia e solidão... 

Maldita sejas pelo Ideal perdido! 
Pelo mal que fizeste sem querer! 
Pelo amor que morreu sem ter nascido! 

Pelas horas vividas sem prazer! 
Pela tristeza do que eu tenho sido! 
Pelo esplendor do que eu deixei de ser!... 

Olavo Bilac, in "Poesias"



Da série "Príncipes do meu Reino", homens encantadores e maravilhosos cujo talento literário eu admiro, hoje, Olavo Bilac, sagitariano, passional, jornalista e poeta, nasceu no Rio de Janeiro, membro fundador da Academia Brasileira de Letras, foi jornalista, poeta, frequentador de rodas de boêmias e literárias do Rio. Deixou de nos brindar com sua beleza física e transcendental em 1918. Não posso ainda definir em palavras o quanto este soneto me defende e me vinga, espero que gostem e procurem ler mais coisas dele.





23 de setembro de 2012

Os Príncipes do meu Reino: Francisco Luis Bernárdez.

Francisco Luis Bernárdez.



SONETO

Si para recobrar lo recobrado 
debí perder lo perdido, 
si para conseguir lo conseguido 
tuve que soportar lo soportado,

si para estar ahora enamorado 
fue menester haber estado herido, 
tengo por bien sufrido lo sufrido, 
tengo por bien llorado lo llorado.

Porque después de todo he comprobado 
que no se goza bien de lo gozado 
sino después de haberlo padecido.

Porque después de todo he comprendido 
que lo que el árbol tiene de florido 
vive de lo que tiene sepultado


Francisco Luis Bernárdez




Da série "Príncipes do meu Reino", homens encantadores e maravilhosos cujo talento literário eu admiro, começando hoje com Francisco Luis Bernárdez, libriano, racional, jornalista e poeta, nasceu na Argentina, estudou na Espanha, participou de vários movimentos literários importantes em seu país e deixou de nos brindar com sua beleza física e transcendental em 1978. Não posso ainda definir em palavras o quanto este soneto me conforta e apazigua, espero que gostem e procurem ler mais coisas dele.





30 de abril de 2011

Chá das 17h00



"Tomou seu lugar na melancólica procissão que devia passar por uma série de emoções improfícuas. Os religiosos, naturalmente, recomendavam esperança e profetizavam notícias de uma mudança em sua sorte para breve. Vários amigos também contavam a ele histórias verdadeiras mas sempre de outras pessoas a quem, depois de meses e meses de silêncio, haviam sido restituídas do maior sentido - sem o menor sentido ou motivo aparente - e receberam o derradeiro chamado da inspiração. Outros aconselhavam-no a entrar em contato com infalíveis benevolentes que podiam auxiliá-lo de maneira fidedigna em sua ascensão na vida. Roberto ia fazendo, redigindo, assinando tudo que lhe era sugerido, ou posto diante dele...
No devido tempo, quando todas as forças do destino, do fado e, inclusive, suas próprias forças de homem já tinham lamentado profundamente ou sinceramente a incapacidade de haver concluído tantas e tantas tarefas inacabadas etc. etc., alguma coisa cedeu dentro dele, e todos os sentimentos - exceto o alívio - se dissolveram em bem-aventurada passividade. O mundo de Roberto parou e ele sentiu em cheio o sacolejo dessa parada. Agora ele estava parado e o mundo girava mas ele nada tinha a ver com ele - o movimento do mundo não o afetava em nenhum sentido. Ele tinha consciência disso pela naturalidade com que não esperava mais e com que inclinava a cabeça no ângulo certo ao ouvir qualquer murmúrio de simpatia.
Com a satisfação desse alívio ele nem sentiu o tanger do tempo. No fim de mais um ano ele já havia superado a aversão física pelos bem sucedidos e felizardos, e pôde mais de uma vez, tomá-los pelas mãos e desejar-lhes uma plêiade de graças quase que sinceramente. O resultado de triunfos ou derrotas alheios, não o interessava em nada. Mantendo-se a imensa distância, ele defendia opiniões próprias - ouvia-se expondo-as, como agora, para o nada que sempre lhe escutou..."    


p.s. apenas um pensamento transcrito com o gosto amargo do chá-verde sem açúcar ainda na boca. 




15 de março de 2011

Soneto adiposo...



Soneto Adiposo

Excesso, palavra que me acompanha na vida,
ambos seguimos aumentando em peso;
Define em significado a dor de uma ferida
Que jaz aberta num corpo obeso!

É causa do meu desencaixe no mundo fino
A razão de ter nascido livre e me sentir preso
Mergulhando em mim, num submarino
Para fugir da balança, em desprezo.

O erro é guardar tudo para dentro, o desejo,
De me fitar no espelho e gostar do que vejo.
E não tentar ser como o homem de fora

Tão magrelo, pela mesmice sufocado,
quando de frente parece de lado,
quando de lado parece que foi embora.


Apenas a reflexão de um homem gordo, um homem que sabe que é gordo e que também sabe que pesa 100kg e tem 1.80m. Um homem que tem espelhos, que tem fome e as vezes não come, e as vezes corre da balança, ou corre na esteira para fugir de um problema sem sair de fato do lugar. Um homem que ja foi admirado, e descartado por ter mais de dois algarismos numéricos representando o todo do seu ser, e que as vezes é lembrado que é gordo por uma pessoa que o olha como se ele desconhecesse tal fato, aqueles que lhe sugerem o Vigilantes do Peso, poderiam muito bem fazer parte do Vigilantes da Própria Vida, pois agem como se este homem tivesse entrado na festa dos magros sem convite e sem roupa de gala. Mesmo gordo, este homem foi amado, odiado, tocado, convidado e desconvidado nessa vida, nessa festa. Queria apenas que todos soubessem, que quem é tão grande como este homem, como eu, é grande demais para ser definido ou indefinido por uma pequena palavra, de cinco letrinhas miudas com tão rechonchudo significado: Gordo. Além do que, três digitos no que o corpo pesa, deveriam ao menos valer três palavras para a tal definição complexa: homem é uma delas, homo é a outra, e a terceira é único, ou ainda outra de sua escolha!


p.s. ja assumi para mim e para outros coisas 
mais profundas e difíceis que meu peso.


































24 de julho de 2008

Coração Satânico ♥



um demônio,
é isso que eu tenho dentro do meu largo peito,
Um ser mitológico, O Deus Antigo da Babilônia,
Baal, Beuzebu, Mefistófeles, Lúcifer,
o pior de cada um e todos eles juntos,
a carta XV do profano Tarot,
A minha própria maldição, um herege...
tal Demônio que vive no meu coração,
como o Djjin em seu rubi vermelho,
tem tortura e pensamentos eróticos a cada palpitação,
a monstruosidade de seu ser é sutilmente
disfarçada com uma máscara tentadora de Volúpia,
uma boca de carne pura, com gosto de cereja madura,
é isso que prova aquele que há meu maléfico coração sucumbiu,
e mesmo que seja por apenas um instante precioso,
ele chegará há bater nas portas dantescas do Inferno,
"Onde todo julgamento se encerra-rá,
e toda a dor se desespera-rá!"
tal qual na comédia,

e se embrigará da minha ambrosia feita com o mel
dos antigos deuses pagãos, com suas vestes leves
e seus corpos cheirando a sexo fresco.
Meu coração é um antigo demônio,como ja o disse,
porem sedento por perdão,
por piedade,
implorando aos deuses sua misericórdia,

e aquele que despertou seu maligno olhar vermelho-sangue,
estará condenado para a toda a eternidade desta noite.
pois aves-marias e pais-nossos nada desfazem nesse perpétuo purgatório,
chegaste enfim, há última terra onde as forças das trevas
trabalham do crepúsculo ao alvorecer,

elfos, vampiros e bruxas serão seus guias nesta noite,
Oh! longa noite...