7 de fevereiro de 2011

Noite e Dia. (Perla)

Sua festa surpresa de 20 anos, foto tirada pelo meu primeiro ex-namorado.



"Noite e Dia, chamavam-nas as tias, e embora nenhuma delas risse dessa brincadeirinha, 
 nem a achasse um pouco engraçada elas reconheciam a verdade que ela continha e eram 
 capazes de compreender, mais cedo do que a maioria dos irmãos consegue, que a Lua 
 anseia o calor do Sol, assim como o Sol anseia pela escuridão da Lua."

Da Magia à Sedução, pag. 15.




Dentro de um planeta que gira em torno de sua própria órbita seria difícil imaginar que um de seus habitantes se importasse com  algo além de si mesmo, mas nós nos importamos. Somos livres, orbitamos ao redor do sol, e este ao redor da galáxia e esta perdida rodopiante no meio do universo misturando o tudo e o nada, e neste eterno e complicado movimento elíptico seria difícil para qualquer coisa permanecer como é, original desde sua criação, mas nós dois permanecemos, quase estáticos, no meio da mistura de cores que nos cerca, nós mantivemos nossos contornos firmes, e nossas mãos dadas, minha safena magna desaguando no seu coração, trocando o ar pela boca quando estávamos debaixo d'água, trocando tudo, cabeça, cabelo, corpo, até as cascas caírem, e então, novos, renascíamos, estavamos prontos para nos destruir aos poucos, novamente, mas não por auto flagelação, e sim pelo prazer que o renascimento sempre nos deu.


André, Paulinho, você e eu. Sempre.



E é renascendo sempre, transformando a distancia em liberdade, a ausência em saudade, o medo em aventura que nos separamos agora. Você vai, eu fico.


HAUSASHUAHUAASHUASHUSAUHASAHUASHUAS


Você vai levar tudo com você, tudo o que trocamos em tantos anos em que partilhamos o laço mais fino e delicado que já vi nascer entre dois seres humanos, tão diferentes, tão parecidos. Você me deixou mais calmo, mais maduro, mais homem, você a cada palavra, a cada gesto, a cada percepção de sentimento, ou  a falta dela, me amadurecia, me maturava como um vinho, me servia a realidade sem o amargor da decepção, me servia a realidade na taça dos sonhos que se realizam, lia meu futuro, conhecia meu passado e vivia meu presente. Você era a única presente.


HUUASHUSAUHASHASHSAHUAUASUAUHAUHASUH



Os anos passaram e nos tornamos adultos, gente grande, com poucas coisas que nos lembram nossa infância  tão distante agora, você manteve sua franja, eu mantive minhas tatuagens. Os piercings se foram, junto com amores, com passado, com amigos, com inimigos, com costumes e homens errados, mas nós não fomos, nós ficamos. 


CHANDON AUSUASAHUSASUHSASAHU



Ficar é o nosso hábito, nosso joguinho particular. Ficar é o que fazemos de melhor, não por que somos temerosos, mas porque sempre ficamos um pelo outro. E é por você que eu vou ficar, esperando, não mais sozinho pois nos construímos tão bem durante esses anos que percebi que é impossível que eu sinta sua ausência, ou sinta falta de você, pois você esta em tudo o que faço, em tudo o que vejo, em tudo o que sonho, em cada profundeza de pensamento, em cada licenciosidade que me permito, em tudo o que eu queria ter dito e não disse, em tudo que eu teria feito melhor, em tudo o que eu mudaria, e em tudo o que permaneceu. Nós.


SUHAUHSAUHSAUHASHUAASUHASHUASHUSASAH



Cabelos negros, olhos claros, me lembrou sempre Perséfone, e agora como ela, você comeu as três sementes de romã que vão me custar três meses sem você, três meses de inverno/inferno, três meses de um mundo novo a ser (re)descoberto, você lá, e eu aqui. 



AHUSSAASHUASHUASHUAHUAHSUASHUASHUAAH



E se eu estivesse lá, no momento em que você for jogar a moeda por mim na Fontana di Trevi, saiba que eu só teria um pedido a fazer aos deuses romanos:
Desejo que você seja feliz, sempre.

Eu te amo Gilly Bean!


- # -

"Sopre vento, até onde estiver quem eu ame,
acaricie seu corpo e regresse para acariciar-me.
Por meio de ti sentirei sua mão suave
e encontrarei sua beleza na Lua.
- # - 
Estas coisas são muito valiosas para quem ama.
Podemos viver com elas e nada mais:
pois nós dois respiramos o mesmo ar,
e o planeta que percorremos, é apenas um."

Ramayana


10 de janeiro de 2011

Não fizemos...




"Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passá-lo contigo. 
 É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, 
 onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. 
 O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, 
 pois a vida está nos olhos de quem saber ver. 
 Tudo é questão de despertar a tua alma."
 Gabriel García Marquez



Nós não fizemos na luz; não fizemos no escuro. Não fizemos na grama de verão rescém-cortada ou nos montes de folhas de outono ou nas gotas de chuva em que o luar deixava cair as nossas sombras. Não fizemos no seu quarto no colchão descarnado em que você dormia, o colchão que você dormiu quando meus braços procuravam o seu leve contorno no escuro, ou no assento de trás do Pegeut prateado do amigo, que cheirava a estrada e à bebidas alcóolicas transportadas diariamente e entregues nos confins do estado de São Paulo. Não fizemos nem na casa onde um rosário se enrolava na estante como uma cobra preta de contas com presas de prata em forma de cruz. 
No beco sem saída do nosso amor - um quarto estranho à nós dois - onde aperfeiçoei o toque tímido e ao mesmo tempo ousado; encostado a parede onde você me tocou pela primeira vez através do meu jeans, onde limpei os restos do sabonete das minhas palmas e passei-as pelas suas coxas acima e você sussurrou algo doce, que devido a amargura posterior, não me recordo, não fizemos.
Mas não fizemos, não ao luar, ou às lanternas fosforescentes dos vaga-lumes no quintal, não sob as constelações que não podíamos ver, muito menos decifrar, ou no fulgor escuro que substituía a verdadeira escuridão da noite, uma escuridão já roubada de nós, não com a silhueta das casas erguendo-se atrás de nós enquanto uma cidade se arruinava pouco a pouco, não no calor do verão e apesar da liberdade da juventude e da licenciosidade de um amor idealizado - em razão de quê, carma, sorte, que importa agora? - transformamos o não fazer numa maravilha, e no entanto não fizemos, não fizemos, nunca fizemos.


p.s. as lições foram aprendidas e as rodas continuam a girar...
p.p.s. 2011 na numerologia será o ano do verbo "acumular", 
que vocês meus queridos, só acumulem alegrias.


Beijos sinceros...

7 de janeiro de 2011

Sal


"Deve existir algo estranhamente sagrado no sal:
 Ele está em nossas lágrimas e no mar..."

Khalil Gibran 



Roberto permanece por algum tempo onde esta.
Ele inclina a cabeça para trás e fecha os olhos castanhos contra o sol,
e pensa em como o amor pode ser louco.
É assim que ele está, parado de pés nus nos ladrilhos de quartzo,
com a marca de sal das lágrimas deixada na face,
e uma estranha espécie de sorriso no rosto...