13 de abril de 2009

Os Excêntricos 'Tortas'.


Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás 
Quantos você ainda vê todo dia 
Quantos você já não encontra mais 
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar! 
Quantos amores jurados pra sempre 
Quantos você conseguiu preservar 
Onde você ainda se reconhece 
Na foto passada ou no espelho de agora 
Hoje é do jeito que achou que seria? 
Quantos amigos você jogou fora 
Quantos mistérios que você sondava 
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava 
Hoje são bobos ninguém quer saber 
Quantas mentiras você condenava 
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sarados com o tempo 
Eram o melhor que havia em você 
Quantas canções que você não cantava 
Hoje assobia pra sobreviver 
Quantas pessoas que você amava 
Hoje acredita que amam você
Faça uma lista de grandes amigos 
Quem você mais via há dez anos atrás 
Quantos você ainda vê todo dia 
Quantos você já não encontra mais 
Quantos segredos que você guardava 
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava 
Hoje acredita que amam você?

A Lista - Oswaldo Montenegro





A Páscoa, um feriado de significado tão forte 
para os seguidores do cristianismo, seja ele católico,
protestante ou ortodoxo, todos comemoram a via sacra
do Cristo, de sua morte violenta, até sua milagrosa ressureição.
é um momento de extrema reflexão, onde todos vão à missas,
procissões, e comem ovos de chocolate, uma maneira ocidental
de celebrar a antiga fertilidade dos festivais pagãos que aconteciam
na mesma época. mas enfim...




Um feriado prolongado pede mudança na agenda, 
e ligado nisso fui para São Paulo, mais precisamente Guarulhos
minha cidade natal,
reencontrar com minha família, que na época em que morei lá
 faziam o papel de família, de amigos e de tudo mais que eu tinha.
eu tinha apenas à eles.

é incrivel a sensação de encontrar um parente próximo extremamente parecido com você.

não digo apenas fisicamente, confesso que andei utimamente 
bem perdido de mim mesmo, minha mente foi se adaptando aos poucos 
a mentalidade interiorana e eu esqueci que nasci num lugar imenso, 
na 3° maior cidade desse planeta que eu tanto amo... 
como pude me esquecer disso? é o que me pergunto...
como eu pude me achar assim tão diferente, como eu pude deixar minha mente
ir se fechando aos poucos, e minhas espectativas desaparecendo.

mas enfim, tudo isso acabou.

Com a maturidade, finalmente conseguimos enxergar coisas, que antes não poderíamos ver.
passei muito tempo achando que o mundo era pequeno demais, e eu diferente demais.
achei que amaria apenas uma vez, achei que ja havia amado antes, 
achei que sempre odiaria meus ex namorados, que os amigos seriam para sempre,
que me casaria e viveria sozinho, que tiraria minha carta de motorista, 
entraria na academia, poxa, a vida é tãããão maior que isso. muito maior.
Encontrar olhos familiares iguais aos seus, que te olham e te reconhecem, e se reconhecem,
ver que suas tatuagens infantis que todos acham estranhas e ridiculas, 
e que não cairiam bem de jeito nenhum num senhor de 40 anos, 
ficariam bem em alguém da familia 'Torta',
não que na nossa familia, alguem mais velho tenha tatuagem, 
mas eu e minhas primas e primos seremos os primeiros, a nova geração, 
seremos nós que iremos ditar as regras do que é e não é normal
e aceitável na família Torta daqui em diante. 
descobrir que vc é completamente parecido, em relação a tudo, religião, paganismo, 
literatura, filmes de romance, tesão em vampiros, baladas dos anos 80/90, 
tatuagens, piercings, namorados, namorar, separar e namorar, 
se sentir acolhido em casa, amar gatos... 
tudo isso está presente em mim e nas minhas primas, 
somos extremamente parecidos (e diferentes), mas existe algo dentro do nosso DNA 
que ri da nossa cara, uma mistura latina, que se faz presente em nosso sangue, 
nos faz ser parecidos mesmo sendo diferentes, e eu nunca entendi direito 
o que significava isso família, alem de pai, mãe e irmã e avós,
a família é muito mais que isso, a família é o nosso berço, 
o nosso portal para esse planeta, é extremamente importante, 
nascemos no mesmo sangue, frutos de uniões, criados juntos, misturados juntos,
todos diferentes, todos parentes, todos juntos

família é isso, tive uma ótima experiencia esse feriado, 
descobri que sim, eu tenho família, eu vim de algum lugar, 
um planeta onde todos são parecidos comigo,
onde as preocupações são muito maiores do que a minha mente pequena me deixava ver,
e agora quero voltar a essa terra grande, quero voltar a viver onde nasci,
quero ter minha vida intensa e minha mente grande novamente, 
quero me preocupar com coisas realmente importantes, 
e encontrar alguem no meio desse furacão todo que goste de mim também. 
pois é. 
meus planos mudaram totalmente.
minha mente e minha vida mudou totalmente, não apenas por fora, 
mas muito mais importante,
por dentro. 

quero voltar pro meu planeta. 


p.s. pricila e vanessa, amo vcs ♥



28 de março de 2009

os meninos (ode a homossexualidade) ♥

Seth Green - ator americano



" eu queria ter um amor nesta noite de lua cheia
para poder pensar um belo pensamento
escrever um poema de amor, e sussurá-lo apenas ao vento,
eu queria ter um amor de longe, certo e impossível,
para eu me ver chorando, e gostar de chorar,
e adormecer sozinho de lágrimas e luar..."

Roberto Torta ( aos 14 anos)

escrito para  Seth Green, meu primeiro amor 
extraído de um caderno meu da 8° série , 
e inspirado em Cecília Meireles.



As pessoas vão se esforçando cada vez mais para serem maiores,
atingirem maiores espaços, maiores olhares, crescerem para fora.
mas creio que eu sou diferente nesse ponto, ja nasci grande demais,
 meu esforço é difirente, quero diminuir-me.
crescer para dentro, e preencher os espaços que estão vazios dentro de mim,
não julgo os que inutilmente se esforçam para crescerem para fora,
vejo tantos, todos os dias, de maneiras diferentes, porem iguais e, em certas horas, 
até o rosto que eu vejo no espelho há 21 anos quer crescer um pouco pra fora também. 
vejo garotos e meninos, que se esforçam para serem homens, e agir como tal,
num mundo onde somos estranhos e mal vistos, principalmente por nossos próprios olhos,
escondidos daqueles que mais amamos, com medo de ferí-los com nossa dura realidade,
então damos duro e fazemos o melhor que podemos, alguns se trancam, e se limitam
a viver duas ou cinco vidas, uma como pai de familia, outra como filho exemplar, 
e outra ainda como menininha transando com um garoto de programa qualquer, 
que por sua vez é apenas um menino também, que tentando crescer pra fora...
somos todos meninos, erramos e acertamos por amor, o mais simples e puro amor.
vejo os meninos-homens nas academias, tomando suplementos (os magros), 
e anfetaminas (os gordos), todos trabalhando para poder sustentar suas vidas simples, 
e comprar boas roupas e assim esperar que o principe encantado chegue numa noite qualquer
então vão há um bar GLSBTVD, (já que não podemos todos ser considerados homossexuais,
temos que nos dividir mais ainda, e cada vez vamos nos dividindo e dividindo e dividindo...)
esses meninos colocam suas melhores roupas e passam o dia sem comer, 
e vão ao barsinho mais próximo, e veja que incrivel, 
estão procurando pelo mesmo que todos os outros,
procuram por amor, por carinho e por aceitação, cada um ao seu jeito, 
e eles vão sorridentes e com amigos, e riem e dançam e bebem, e encontram alguem, 
e então se beijam, e a química entre dois corpos iguais é enorme e fervescente...
mas ninguem os ensinou como lidar com essa química que pode ser maravilhosa,
esses pobres meninos, não tiveram exemplos, não puderam jamais expressar seu amor,
não puderam mandar bilhetinhos, ou dedicar musicas nas radios das escolas,
não puderam dar seu primeiro beijo na frente do melhor amigo, ou mesmo
escrever o nome da paixão com caneta bic no braço durante a aula de matematica, 
eles não puderam nem colocar um poster de seu ator/cantor favorito na parede do quartoo
ou juntar fotos deles numa pasta cheia de corações e declarações de amor...
nem ao menos puderam sonhar em beijar tal ator uma única vez,
pobresinhos, eles não tinham um diario pra confessar o nome do seu amorsinho platônico,
e nem perguntar para a mãe ou para o pai como é o primeiro beijo, ou o primeiro amor...
sempre fugiram de tudo isso, e assim foram crescendo, com tudo escrito, rabiscado, 
beijado e confuso dentro de si,
e é dificil colocar essas coisas pra fora depois de tantos anos perdidos,
e sem se conhecerem eles se amam, e se beijam, e se chupam e gozam, e nunca mais se vêem.
até que durante a próxima semana, continuem malhando, continuem tomando suplementos, 
e anfetaminas, e continuem comprando suas roupas de marcas, 
e trabalhando, e sonhando com um amor... 
Pobres coitados que não aprenderam a amar, e demorarão muito talvez...
eles confundem seus desejos, e suas libidos, e seus sexos, e confundem tudo
pois nunca tiveram ordem, paz ou aceitação... mesmo os mais aceitos se sentem culpados
por possuirem uma paz que os outros não tem, e assim todos eles 
carregam sozinhos seus próprios demônios, e mesmo os que se unem em casais, 
não conseguem se encontrar, e se expressar tão bem quanto os outros pensam,
vivem juntos e vivem sozinhos,  carregam um mundo inteiro dentro de si
e um peso enorme nas costas... sempre sozinhos de alguma forma..
outros sofrem e lutam muito na vida, e crescem e ficam ricos e famosos, e bem vistos,
críticos de arte, artistas, almas sensiveis mas que se cercam do narcisismo e da futilidade
precisam se amar, precisam aprender, e precisam impor esse amor próprio 
como uma ditadura a todos, e se tornam meninos arrogantes e monstruosos, 
daqueles que dá medo só de olhar, mas na verdade, os mais inteligentes, 
assombrosos, são os mais medrosos, pobrezinhos²,
se defendem do amor, e do carinho, se cercam de arrogancia mas querem a simplicidade,
foram longe demais e não sabem como voltar, ninguem os ensinou isso também...
como disse no começo, meu sonho sempre foi crescer para dentro, 
me diminuir, cada vez mais...
me tornar transparente, cor de gelo, como um ser feito d'água cristalina.
eu sou só mais um menino como todos os outros que conheço e conheci...
um menino que não teve muitos amigos sinceros na infancia, 
que brincava de LEGO sozinho e sonhava em beijar seu amigo ricardo, 
e escrever o nome deste no pulso com a caneta bic azul,  
que gostava de X-MEN e lia sempre, e  não perdia um episodeo sequer de Buffy, 
a caça vampiros,  só para ver seu ator favorito e amor platônico (secreto), 
Seth Green, se transformar em um lobisomen do bem, 
lindo, roqueiro, guitarrista de cabelos roxos e óculos...
mas esse menino foi se libertando e crescendo com o tempo,
 foi sendo aceito e aceitando os outros também, mas que ainda tem muitos beijos
não dados, e rabiscos não rabiscados dentro de seu coração, 
e assim anseia desesperadamente amar,
mas não consegue amar ninguem, é dificil para ele amar até a si mesmo,
e inveja os meninos que cresceram, que são artistas, que são cults, que são alguma coisa,
ja que eu? eu sou só um menino que quer implodir,
e ir cada vez mais para dentro, 
e assim do avesso sair para fora de novo...
continuo aqui, saindo e andando pelas ruas desse mundo, 
acreditando nas coisas sobrenaturais e acima de tudo, no amor,
acreditando que encontrarei um super herói disfarçado, 
com óculos de grau e cara de rapaz comum da cidade que senta do nosso lado no ônibus,
desses que eu podia ter conhecido sem querer qualquer dia desses da minha vida, 
quem sabe...

pobres meninos como nós, a sofrer e sonhar com amor até a morte,
e talvez algum dia, não ser mais assim, sozinho.



15 de março de 2009

Ciúmes.


Por favor, não me analise 
Não fique procurando 
cada ponto fraco meu 
Se ninguém resiste a uma análise 
profunda, quanto mais eu! 
Ciumenta, exigente, insegura, carente 
toda cheia de marcas que a vida deixou:
Veja em cada exigência 
um grito de carência, 
um pedido de amor! 

Amor, amor é síntese, 
uma integração de dados: 
não há que tirar nem pôr. 
Não me corte em fatias, 
(ninguém abraça um pedaço), 
me envolva toda em seus braços 
E eu serei perfeita, amor! 

Mirthes Mathias




Eu sempre ficava puto da vida 
cada vez que topava com o ex-namorado do meu ex-namorado
 (quando ele ainda era vigente).
Ele era o dono de todos as pragas que eu era capaz de proferir, 
não importando o fato de que eu nem sequer o conhecia.
Era fulano o seu nome (imagino que ainda seja, se ele ja não tiver transgenerado, 
ou passado dessa pra melhor) 
Piorava quando ele vinha todo melindroso dar um beijinho de pretensa civilidade 
na carinha do meu ex numa festa ou congênere.
Daí era Fatality* imaginário, e 'Carrie a Estranha'  para tudo quanto era lado.
Sim, confesso: 
não havia nenhuma nesga de elevação de espírito neste que vos fala 
quando o assunto era ciúme.
Porque era só eu olhar para o diabo que me vinha a horripilante imagem 
do meu (então) namorado enfiando sua chave naquela fechadura.
Era um exercício compulsivo o de imaginá-lo girando a chave na porta principal, 
abrindo com a boca o cadeado da entrada de serviço,
passando um oleosinho nas dobradiças do desavergonhado 
ou mesmo botando a maçaneta pra ranger.
Olhava para o garoto e me perguntava se ele era melhor que eu, se tinha pintinhas, 
piercings, tatoos mais bonitinhas que as minhas, 
se sua acolhida era mais calorosa e se gemia obscenamente seus desejos mais escondidos.
Tããããão agradável pensar isso...
Como eu tinha uma idade muito tenra (tonto
e experiência amorosa quase inexistente,
vivia sucumbindo ao apelo tosco de querer ser sempre mais que ele, 
e que qualquer outro.
Veja bem, ele era "o ex", e "ex" é para sempre. 
Eu era apenas o namorado, status bem inferior ao de "ex-namorado".
Então fazia das tripas coração para não ficar pra trás. 
Era todo agrados e encantos e não poupava esforços para beirar o espetacular 
no que tange a fechadura e afins.
Minha cabecinha de quase homem, não conseguia parar de matutar 
sobre o estado civil do meu amado: 
ex-namorado do outro, e atual namorado meu.
Mas ser ex-namorado é coisa muito séria, pensava, 
e martelava na cachola as implicações desse carimbo.
Foi quando eu quis namorar mais sério. 
Imaginava se um dia ele me amaria a ponto de dividir o banheiro comigo 
( na minha idéia, só compartilhava o vaso sanitário quem ficava louco de amor), 
que eu quis ser muito mais legal para despertar o amor maior.
Quis ser mais erótico do que ele, e quem dera que todos os homens. 
pois tinha cá pra mim, que ele ficaria tão inebriado 
que nunca mais pensaria nele, ou em qualquer outro vagabundo.
Quis ser tão divertido e atirado, que ele não desejaria outra coisa a não ser ficar comigo.
Eu quis superar toda a gama de furinhos obscuros e viscosos 
para que ele abandonasse sua chave no meu cofre e nunca mais
se preocupasse com explorações espeleológicas.
Mas foi tudo um fracasso de bilheteria, como você ja deve ter imaginado.
Nessa empolgação toda em ser o tal, eu perdi boa parte do que ele poderia ter me dado.
Ele não precisava fazer o menor esforço para me seduzir pois eu vivia seduzido.
E não precisava me fazer rir porque eu vivia rindo,
E nem precisava checar o próprio ibope porque eu sempre o anunciava como campeão de audiência (mesmo quando era 2°lugar)
Até que a ficha caiu e no fim eu me perguntava se tudo o que eu fazia era por que o amava tanto ou porque, como homenzinho da pior espécie que sou, 
queria superar meus antecessores?
Não sei. 
Ele sem dúvida foi o minha paixão mais profunda
 (sem exageros, afinal ainda tenho só 21). 
Mas, se eu não tivesse sido acometido pela praga do orgulho,
certamente eu teria investido muitooooooooo² menos nele.
E quem sabe, assim, tivesse dado certo.
Pra terminar, como diria o poeta:

'nos ciúmes existe mais amor-próprio do que verdadeiro amor.'
François La Rochefoucauld