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Mariana Franhan ★ 15/03/1990 - 09/12/2011 † |
Já bem perto do acaso,
eu te bendigo, ó Vida,
Porque nunca me deste
esperança mentida,
Nem trabalhos injustos,
nem pena imerecida.
Porque vejo,
ao final de tão rude jornada,
Que a minha sorte
foi por mim mesmo traçada;
Que, se extraí os doces méis
ou o fel das coisas,
Foi porque as adocei
ou as fiz amargosas;
Quando plantei roseiras,
colhi sempre rosas.
Decerto, aos meus ardores,
vai suceder o inverno:
Mas tu não me disseste
que maio seria eterno!
Longas achei, confesso,
minhas noites de penas;
Mas não me prometeste
noites boas, apenas
E em troca tive algumas
santamente serenas…
Amei e fui amado,
acariciou-me o Sol.
Para que mais?
Vida, nada me deves.
Vida, estamos em paz!
Em paz, Amado Nervo
Todas as luzes estarão no seu caminho até Perséfone!
Que a nossa despedida seja breve...